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Mudança do clima levará 100 milhões à pobreza em 2030, mostram estudos

10/12/2019

A mudança do clima está ocorrendo mais rápido e com mais força do que jamais se imaginou. Pode colocar mais de 100 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza em 2030 e levar um número similar a migrar para outros lugares em 2050.
A subnutrição será o maior risco de saúde provocada pelo aquecimento da temperatura. A transformação necessária na economia tem que ocorrer não apenas na geração de energia, mas também na produção de alimentos.
"Este é um grande drama", reconhece o cientista sueco Johan Rockström, do Potsdam Institute for Climate Impact Research, lembrando que o sistema de produção de alimentos é o maior setor emissor de gases-estufa no mundo.
"Mas os estudos científicos mais recentes mostram que os aumentos da temperatura e de CO2 irão reduzir também a qualidade nutricional da comida", disse. "Não só o aquecimento global causa secas e inundações que afetam as culturas, mas deteriora a qualidade dos alimentos."
Estes são alguns dos dados mais recentes da ciência climática, divulgados na CoP 25, em Madri, e compilados pelas maiores redes de cientistas ambientais do mundo, a Future Earth e The Earth League, no relatório entitulado "10 New Insights in Climate Science 2019".
O estudo resume e coloca foco nos avanços científicos mais recentes dos últimos 12 meses. É o terceiro ano que é lançado. Tem por objetivo tornar claro para políticos e formadores de opinião o que está acontecendo com a mudança do clima e quais são os principais desafios.
"A conclusão é que 2019 foi um ano ruim para o sistema climático no mundo e para a humanidade. Temos mais evidências do que nunca dos impactos que estão atingindo comunidades no mundo inteiro e dos riscos à frente. Sim, estamos ficando sem tempo para agir", disse Rockström, um dos autores do sumário.
O relatório diz que só com a infraestrutura das usinas de carvão que existem somada às que estão sendo planejadas, o mundo estará comprometido com duas vezes o que se poderia emitir para cumprir os compromissos do Acordo de Paris.
"Isso nos dá o suporte científico para afirmar que é preciso chegar ao fim da era dos combustíveis fósseis", seguiu Rockström. No lado positivo, há o registro de que se atingiram marcas históricas de energia produzida através do vento e do sol.
Na última década, a elevação do nível do mar registra uma média três vezes mais alta do que foi no século 20. E isso se dá com a contribuição do derretimento das camadas de gelo.
As alterações que acontecem no gelo das montanhas pode afetar o fornecimento de água na metade do século de mais de um bilhão de pessoas.
Wendy Broadgate, do Future Earth, falou sobre o futuro das florestas, que absorvem cerca de um terço das emissões de CO2 causadas pelo homem. Mas lembrou que as florestas vem sendo removidas para dar lugar a pasto e colheitas.

Leia mais em O Globo

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