
16/06/2026
Quem nunca ouviu que os opostos se atraem? Nos céus de Mato Grosso do Sul, a resposta parece ser sim. Veja o vídeo acima.
Em um dos cenários mais impressionantes do estado, uma arara-canindé (Ara ararauna) e uma arara-vermelha (Ara chloropterus) vivem uma história que desafia o comportamento mais comum da espécie. Monogâmicas, inseparáveis e observadas juntas há cerca de cinco anos, elas formaram um casal raro entre aves de espécies diferentes em um buraco milenar, em Jardim (MS).
O relacionamento, que tem o Buraco das Araras como cenário, chama atenção não apenas pela diferença de cores. Enquanto uma exibe penas azuis e amarelas, a outra tem plumagem vermelha intensa. Na natureza, elas costumam formar casais com indivíduos da própria espécie. Mas, nesse caso, a regra parece ter sido ignorada.
"Um amor que desafia as cores e surpreende quem visita", resume Bergson Sampaio, que acompanha há anos a rotina das aves na reserva.
Entre mais de uma centena de araras-vermelhas que ocupam a gigantesca cratera natural, a dupla se destaca imediatamente. E talvez seja justamente por ser tão improvável que a história desperte tanta curiosidade.
A chegada da arara-canindé ao Buraco das Araras aconteceu há cerca de sete anos. Na época, ela era uma estranha em território dominado pelas araras-vermelhas, aves conhecidas pelo comportamento territorialista.
Segundo Bergson Sampaio, a recepção não foi amigável. "As vermelhas tentaram expulsar ela durante seis meses." Mas algo mudou.
Com o passar do tempo, a canindé passou a reproduzir sons muito parecidos com os das araras-vermelhas. Aos poucos, deixou de ser vista como uma invasora.
"A vocalização dela ficou bem próxima da vocalização das vermelhas. Elas passaram a aceitar sua presença." Aceita pelo grupo, a ave acabou formando par justamente com uma das moradoras da colônia. Desde então, as duas são vistas juntas com frequência.
Diferentemente do que muita gente imagina, araras costumam ser aves monogâmicas. Quando escolhem um parceiro, tendem a permanecer juntas por longos períodos.
Foi exatamente o que aconteceu com o casal. Há cerca de cinco anos, as duas aves compartilham território, voos e rotina no Buraco das Araras. Até hoje não há registro de filhotes.
Uma das hipóteses é que a diferença física entre as espécies dificulte a reprodução. A arara-vermelha é maior que a arara-canindé e, dependendo da combinação entre macho e fêmea, o cruzamento pode se tornar mais complexo, explica a guia do Buraco das Araras, Salete Cinti.
Além disso, eventuais filhotes seriam híbridos. Em aves, esse tipo de cruzamento pode resultar em indivíduos com dificuldades reprodutivas ou até estéreis. Ainda assim, a ausência de descendentes não alterou o vínculo observado entre elas.
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