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Cientistas da UFRJ decifram efeitos do zika em cérebro de adultos

10/09/2019

Cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) descobriram os alvos do vírus zika no cérebro de adultos, num estudo de repercussão mundial.
Eles comprovaram que ele não só ataca diretamente os neurônios como deflagra uma espécie de curto-circuito cerebral, um tipo de reação inflamatória grave observada em doenças como o mal de Alzheimer.
O zika assustou e surpreendeu o mundo ao causar microcefalia e uma síndrome de anomalias congênitas em bebês. Agora, se comprova que também causa efeitos severos em adultos ao afetar as áreas dos cérebros associadas à memória e aos movimentos, explica a neurocientista da UFRJ Cláudia Figueiredo, uma das líderes do grupo.
O estudo identificou também drogas para tratar os distúrbios neurológicos causados pela infecção. Estes vão de desorientação a perda de memória e coordenação motora e, nos casos mais severos, paralisia.
O trabalho sugere ainda que esses casos são mais frequentes do que se imagina e propõe novas políticas públicas de saúde para identificar entre as pessoas com distúrbios neurológicos aquelas que infectadas pelo zika. Fará diferença entre a recuperação e o sofrimento dos pacientes e a redução dos gastos em saúde pública.
— A zika, como as demais doenças do aedes, como a chicungunha e a dengue, são subnotificadas e temos visto emergir uma série de novos acometimentos, como os neurológicos. Nosso estudo pode contribuir para o diagnóstico e o tratamento — diz Figueiredo.
A magnitude das descobertas, inteiramente feitas no Rio e com recursos públicos, mereceu destaque numa das mais importantes revistas científicas do mundo, a Nature Communications.
A microcefalia e demais anomalias congênitas provocadas pelo zika em bebês suscitaram a hipótese de que seu alvo no cérebro eram as chamadas células progenitoras de neurônios, um tipo de célula-tronco. O grupo da UFRJ, baseado na experiência com outras doenças neurológicas, imaginou outra hipótese. E a testou primeiro em culturas de neurônios humanos em laboratório e, depois, em camundongos.
Os primeiros testes revelaram que a teoria das células progenitoras não era verdade para adultos. O zika infectava neurônios maduros, muito mais abundantes. Mais do que isso, se multiplicava neles. E o fazia nas regiões do cérebro associadas à memória, à cognição e aos movimentos.
Foi aí que entraram os camundongos, explica outro dos líderes do estudo, o neurocientista Sérgio Ferreira, um dos maiores estudiosos do mal do Alzheimer do país. Após um mês da infecção no cérebro dos camundongos — uma enormidade em termos na vida de um roedor que não costuma ultrapassar dois anos — o vírus praticamente desaparecia.
Mas isso não significava o fim da doença. Ao contrário. Ferreira diz que a infecção provoca uma reação exagerada de um tipo de célula de defesa do cérebro chamado microglia. Esse processo gera uma inflamação do cérebro. As microglias passam a devorar as sinapses, a rede de comunicação entre os neurônios.

A matéria completa pode ser lida em O Globo

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