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Superbactérias são encontradas pela primeira vez fora do ambiente hospitalar em SP

22/08/2019

Superbactérias que até agora só eram encontradas em ambiente hospitalar foram detectadas em pessoas da comunidade da região de Ribeirão Preto (SP) que não estavam internadas.
A descoberta foi feita por acaso, durante a realização de outro estudo. O professor de microbiologia da Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp) André Pitondo da Silva coordena um projeto para comparar o perfil molecular da bactéria Klebsiella pneumoniae em cinco regiões brasileiras e países dos cinco continentes. Os pesquisadores coletavam bactérias de pacientes de um hospital local por intermédio de um laboratório. Descobriram, então, que parte das amostras recebidas não eram de pacientes internados, mas de pessoas da comunidade que haviam feito um exame de urina para tratar infecções urinárias.
Essas 48 amostras de pacientes não internados se tornaram objeto da nova pesquisa, financiada pela FAPESP e publicada no "Journal of Global Antimicrobial Resistance". Destas, segundo Pitondo, 29 eram multirresistentes a vários antibióticos. A descoberta acende um sinal de alerta para a comunidade científica e médicos. Até hoje, a Klebsiella pneumoniae, que é responsável por grande número de infecções hospitalares e uma das que têm desenvolvido maior resistência aos antibióticos, só tinha sido encontrada dentro de hospitais.
— A princípio tivemos surpresa. São bactérias encontradas geralmente em pacientes internados em hospitais, tomando mais antibióticos, tratando doenças. Achamos vários genes de resistência, associados ao que chamam de superbactérias — explica o professor André Pitondo da Silva. As bactérias que têm esses genes, produzem a enzima KPC, que consegue degradar os antibióticos.
Em 30 amostras (62,5%), foram identificados 73 diferentes genes de virulência – codificadores de proteínas que ajudam o microrganismo a driblar o sistema imune ou a se disseminar mais facilmente no ambiente.
— Além de serem mais difíceis de serem tratadas pela multirresistência, as bactérias são mais virulentas, mais perigosas, com maior poder de causar doença no paciente. Ainda encontramos uma outra característica em parte das amostras que é super mucóide, grudando na mucosa como um chiclete. Se estiver na bexiga, forma um biofilme, e isso só tinha relatos em hospitais.

A matéria pode ser lida em O Globo

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