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Pequenas comunidades cresceram até 60% na área da Barra, Recreio, Jacarepaguá e Vargens

14/03/2019

Com uma grande área verde a seu redor e na esteira da fiscalização precária, pequenas comunidades da região estão se expandindo a todo o vapor. Somente na Área de Planejamento 4 (que engloba Barra, Recreio, Vargens e Jacarepaguá), novas construções irregulares em favelas ocuparam mais 38.491 m², o equivalente a 34 campos de futebol, no último ano.
Os dados são do Instituto Pereira Passos e estão disponíveis no Sistema de Assentamentos de Baixa Renda (Sabren), aplicativo que reúne informações sobre as favelas do Rio de Janeiro. Eles medem somente a expansão horizontal, deixando de contabilizar, por exemplo, a área construída total de prédios e casas com mais de um andar. Por isso, não se destacam entre as comunidades de crescimento significativo as mais populosas da região, como Rio das Pedras e Muzema, onde o problema, hoje, é a verticalização, já que não há mais espaço para crescer horizontalmente.
Na AP4, as comunidades cuja área mais aumentou de 2017 para 2018 foram a Frei Luiz, em Jacarepaguá; a Zenetildes, em Vargem Grande; e a Amigos do Aerobita, na Praça Seca. Considerando-se os últimos cinco anos, entre as comunidades que mais cresceram está também a situada na Estrada Curipós, no Anil, que mais do que dobrou de tamanho. Vila Taboinha e uma comunidade instalada na Rua André Rocha, na Taquara, também tiveram expansão expressiva.
São grandes as suspeitas de que os terrenos próximos a estas comunidades estejam sendo loteados por criminosos, segundo vizinhos. A ação de bandidos já foi denunciada pelo GLOBO-Barra, que flagrou obras irregulares na comunidade do Fontela, em Vargem Grande. Moradores da favela e vizinhos dizem que milicianos estariam por trás do loteamento.
Para Rafael Soares Gonçalves, professor do departamento de Serviço Social da PUC-Rio, nas pequenas comunidades em crescimento a prefeitura tem a chance de implementar uma política pública de urbanização de longo prazo, evitando sua expansão desordenada. O problema maior, diz ele, é aproximar os projetos dos moradores:
— Não adianta criar planos que são mais marketing político do que essenciais para a população da área. O problema é que as intervenções historicamente só são feitas depois de o transtorno estar instaurado. Não adianta ficar enxugando gelo.
Segundo Gonçalves, remoções não são o caminho. Um levantamento feito em 2015 pela Fundação João Pinheiro, instituição ligada ao governo de Minas Gerais e que estuda a questão do déficit habitacional em todo o país, aponta que o estado do Rio é o quarto do país com o maior déficit habitacional. Somente na Região Metropolitana do Rio há carência de 340 mil residências. Em contrapartida, o mesmo levantamento apontou que havia mais de 300 mil casas vazias ou em construção nessa área.
A política de remoções na região de Barra, Recreio e Jacarepaguá ganhou força no período pré-olímpico. O maior símbolo foi a Vila Autódromo, reduzida hoje a 20 casas, construídas pela prefeitura em substituição às quase 600 que foram demolidas. Há um mês, Maria, uma das representantes dos moradores que se recusaram a deixar o local, disse ao GLOBO-Barra que os remanescentes da Vila Autódromo estão abandonados, apesar da promessa de urbanização da área.

Fonte: O Globo

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