UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
Esquema de loteamentos irregulares ameaça o Parque de Grumari

08/02/2018

Quem frequenta a Praia de Grumari talvez nem imagine que aquela vasta e exuberante vegetação, na direção contrária à do mar, está ameaçada. Há mais de dois anos, vizinhos, surfistas e funcionários da prefeitura denunciam o surgimento de loteamentos ilegais no local, que se tornou Área de Proteção Ambiental (APA) em 1986 e Parque Natural Municipal em 2001. Temendo represálias, vários conversaram com O GLOBO-Barra, mas pediram para não ser identificados. A situação é conhecida: em janeiro, a Secretaria municipal de Conservação e Meio Ambiente embargou três construções irregulares.
Em meio às árvores e plantações da área verde, há famílias tradicionais — 36, segundo o cadastro da prefeitura — que estavam instaladas em Grumari antes dos decretos e receberam permissão para continuarem em suas casas: o poder público não desapropriou os terrenos. Entretanto, há relatos de obras de puxadinhos, o que é proibido, e, o mais preocupante, de venda de lotes pelos próprios nativos. Há ainda denúncias de ações de milicianos.
Como a área é muito grande, e com vegetação fechada, não é tão fácil constatar as ocorrências. Através de imagens aéreas, porém, é possível observar a expansão das construções. No último fim de semana, o biólogo Mario Moscatelli divulgou o material que colheu em Grumari num sobrevoo, após receber denúncias anônimas de novas ocupações irregulares. Segundo Moscatelli, chamou a atenção a presença de telhados com aparência de recém-concluídos:
— Grumari é o último dos moicanos. Se alguém quiser ver como é o litoral primitivo precisa ir lá; é um fragmento histórico-ambiental do Rio. As imagens não são tão impactantes como em outras ocupações da cidade, mas fotografei e divulguei, pois aí depois o governo não pode dizer que não sabia de nada.
O Parque de Grumari tem 804 hectares de área, e a maioria das construções irregulares fica próxima à Serra de Piabas. Em 2015, O GLOBO-Barra fez uma reportagem sobre o problema. Na época, o então secretário de Meio Ambiente, Carlos Muniz, disse que faria um levantamento para realizar a regularização fundiária da área, mas, desde então, os loteamentos continuaram a crescer. Segundo a Secretaria de Conservação e Meio Ambiente, o levantamento ainda está sendo realizado.
Funcionários da prefeitura dizem que todos têm conhecimento do problema, mas poucas medidas são tomadas. Em 2004, a Secretaria de Meio Ambiente criou um grupo de trabalho para realizar um relatório sobre a realidade de Grumari e cadastrar os moradores tradicionais. Foi quando se chegou ao número de 36 famílias, que se sustentavam basicamente do cultivo de banana, considerada plantação exótica. Em contrapartida, o município lançou o programa Mutirão do Reflorestamento, a fim de incentivar o trabalho com mudas de espécies endêmicas, mas nem todos os nativos aderiram.
Com o passar dos anos, os moradores antigos começaram a ceder às ofertas para vender parte de suas terras, e novos residentes se instalaram no Parque de Grumari. Um morador que pediu anonimato afirmou ter sofrido represálias ao denunciar o problema às autoridades:
— Agora deixo para o Ministério Público ou a prefeitura. Se você entrar lá dentro, é fácil perceber. Há dois anos (o adensamento) começou de forma mais intensa e está aumentando.
Só os nativos podem permanecer no local. Qualquer edificação posterior ao decreto de criação do parque, porém, é proibida. Mesmo para pequenas reformas,é preciso pedir autorização. Mas não é o que tem acontecido. No ano passado, Grumari ficou cerca de dez meses sem um gestor nomeado. Nesse período, segundo um funcionário da prefeitura, o ir e vir de caminhões com material de obra não era raro, e os loteamentos cresceram. As observações são corroboradas por moradores.
— Foi uma omissão da prefeitura — afirma o funcionário. — A família cresce, e o filho faz uma casa ali para morar. Depois, alguns membros começam a vender lotes para terceiros.
Ex-vice-presidente do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea) e morador de Vargem Grande, o arquiteto e urbanista Canagé Vilhena também já recebeu informações sobre os loteamentos. Para ele, a situação é resultado do abandono do poder público.
— Ali é uma unidade de conservação, com resquícios da Mata Atlântica e de restinga, que não tem recebido o apoio necessário. A desordem urbana, um problema antigo, hoje faz parte do cenário da Baixada de Jacarepaguá. Em Grumari, não há controle sobre o que fazem os moradores ou fiscalização de obras ilegais. Há sempre exploração política por trás das construções irregulares no Rio, e, quando isso ocorre numa unidade de conservação, é mais grave ainda. Esse parque hoje corre o risco de chegar à degradação, com a possibilidade de consolidação de grupos ilegais exercendo poder paralelo — diz.

Saiba mais em O Globo

Novidades

Inea avalia região afetada por vazamento de óleo para saber quais espécies foram atingidas

11/12/2018

O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) ainda não conseguiu mensurar a dimensão da área contaminada ...

Imagens mostram extensão de vazamento de óleo em duto da Petrobras no RJ

11/12/2018

Imagens do projeto de monitoramento ambiental Olho Verde, feitas pelo biólogo Mário Moscatelli, most...

Tentativa de furto provoca vazamento de 60 mil litros de óleo na Baía de Guanabara

11/12/2018

O vazamento de 60 mil litros de óleo que atingiu a Baía de Guanabara, na tarde de sábado, foi provoc...

Uerj, Inea e FAO assinam acordo para monitoramento ambiental em Ilha Grande

11/12/2018

A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), o Instituto Estadual de Ambiente (Inea-RJ) e a Or...

Carpas que chupam chupeta conquistam visitantes de restaurante em Jundiaí

11/12/2018

A pescaria em um restaurante de Jundiaí (SP) é um pouco diferente da tradicional: de um lado a varin...