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Pesquisa vincula sucesso reprodutivo de baleias-franca à disponibilidade de krill

10/10/2017

As baleias-franca austrais Eubalaena australis, assim como outras espécies de baleias, migram sazonalmente entre áreas de alimentação e reprodução. Elas permanecem em altas latitudes durante o final da primavera e o verão, se alimentando e acumulando reservas energéticas, e em áreas costeiras subtropicais durante o outono e o inverno, onde acasalam e dão à luz aos seus filhotes. Essa espécie vem, lentamente, se recuperando da intensa caça, cessada no Brasil no ano de 1973, que a levou à beira da extinção.
A recuperação das baleias-franca se dá principalmente pela abundância do krill antártico no entorno das ilhas Geórgias do Sul, e migra, a cada ano, para a costa brasileira durante o período reprodutivo. Essa é uma das principais conclusões do estudo da pesquisadora Elisa Seyboth, da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), que contou com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Os resultados da pesquisa foram publicados no periódico Scientific Reports, do grupo Nature, intitulado Southern right whale (Eubalaena australis) reproductive success is influenced by krill (Euphausia superba) density and climate, assinado por outros quatro pesquisadores brasileiros, sendo dois bolsistas de Produtividade em Pesquisa do CNPq, além do australiano Keith Reid.
De acordo com Elisa Seyboth, uma das populações de baleias-franca se alimenta, principalmente, do krill Antártico Euphausia superba, e as baleias costumam se concentrar especialmente no litoral de Santa Catarina entre os meses de junho e outubro. Nesse trabalho, observou-se a partir de uma série temporal de 16 anos, que o número de filhotes nascidos a cada temporada reprodutiva da população está relacionado com a disponibilidade de krill na área de alimentação no verão anterior, bem como com anomalias climáticas que afetam a disponibilidade desse recurso no ambiente. Isso confirmou a hipótese de que o sucesso reprodutivo da espécie é afetado pelo estresse nutricional ao qual os indivíduos adultos estão sujeitos em função de variações nas condições ambientais e, consequentemente, na quantidade de alimento disponível.
Seyboth explica que o krill é a espécie de zooplâncton chave do ecossistema Antártico e representa o elo de transferência de energia entre os produtores primários fitoplanctônicos e os predadores de níveis tróficos superiores, como focas, pinguins e outras espécies de baleias. Sua biomassa tem forte relação positiva com a disponibilidade de gelo marinho. Há uma previsão, conforme publicação na revista Nature, de que a frequência de eventos extremos do fenômeno El Niño duplicará nas próximas décadas. Dada a relação de eventos El Niño com a redução do gelo marinho, essa previsão sugere uma tendência de redução na biomassa de krill, o que é desfavorável para as espécies que dependem desse recurso alimentar.
Além disso, o krill se tornou a espécie mais explorada, em peso, pelas atividades pesqueiras no Oceano Austral. Em alguns setores desse oceano, há uma grande sobreposição entre os locais de pesca de krill e as áreas de alimentação de alguns de seus predadores. O efeito sinérgico destas mudanças climáticas com a pesca do krill na Antártica pode comprometer a lenta recuperação da baleia-franca e de outras espécies de baleias intensamente caçadas no passado.
Os resultados encontrados no referido estudo demonstram a necessidade de ações políticas internacionais, no âmbito do Tratado Antártico, voltadas à medidas de gestão da pesca do krill visando à conservação da baleia-franca e de todas as espécies que dependem diretamente do krill para sua sobrevivência. A Comissão para a Conservação dos Recursos Vivos Marinhos Antárticos (CCAMLR) é responsável pela determinação de ações de conservação e manejo que levam em conta o ecossistema marinho da Antártica, incluindo as espécies que dependem do krill como recurso alimentar.

Para ler sobre a pesquisa, acesse o site do CNPq

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