
06/10/2026
Um estudo para definir alternativas de combate à erosão costeira em Atafona e Açu, distritos de São João da Barra, no Norte Fluminense, começou a ser analisado em campo nesta terça-feira. Contratado pela prefeitura, o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) vai reunir dados sobre o oceano, o rio Paraíba do Sul, sedimentos, ambientes naturais, drenagem, infraestrutura e aspectos sociais para compreender a dinâmica da região e avaliar possíveis intervenções. O avanço da erosão, registrado desde a década de 1960, já destruiu casas, ruas, redes de esgoto e estruturas de eletricidade.
— O estudo não parte de uma solução previamente definida. Primeiro, precisamos compreender os processos que atuam em cada trecho da costa. A partir dos dados, será possível comparar alternativas e fornecer uma base técnica para orientar as próximas decisões — afirma Clarissa Menin, oceanógrafa responsável pelo estudo.
Os dados coletados pelo levantamento — que terá duração de 18 meses e reunirá 29 profissionais de diferentes áreas — serão integrados à modelagem matemática, com ferramentas como o software MIKE 21. As simulações permitirão analisar o comportamento de ondas, correntes e sedimentos e testar diferentes cenários.
Entre as alternativas de intervenção a serem avaliadas estão a reposição de areia, recuperação de praias e dunas e estruturas rígidas de proteção. A comparação entre elas considerará aspectos técnicos, custos, manutenção, impactos socioambientais, riscos e cenários de mudanças climáticas.
A prefeita da cidade, Carla Caputi, afirma que o início do trabalho de campo representa uma nova etapa para o enfrentamento do problema.
— Agora entramos em uma etapa fundamental: ir ao território, reunir dados e entender com precisão o que está acontecendo em cada trecho do nosso litoral. Precisamos dessa base técnica para tomar decisões responsáveis e, posteriormente, buscar os recursos necessários para as soluções que forem indicadas — disse a prefeita.
Tanto Atafona quanto Açu enfrentam, há anos, um processo de erosão costeira provocado por uma combinação de fatores, que vão da ação humana ao aumento do nível do mar associado às mudanças climáticas. Segundo a ocean, pesquisas anteriores já apontaram diferenças no comportamento da linha de costa ao longo do município.
— Em Atafona, junto à foz do Paraíba do Sul, há registro de recuo crônico da linha de costa desde 1954. Pesquisas históricas apontam a perda de cinco quarteirões e danos parciais em outros sete até 2019, na comparação com a configuração urbana de 1976. Em alguns lugares ao sul, os estudos analisados mostraram avanço da faixa de areia no período analisado. Precisamos agora aprofundar essa compreensão e entender como oceano, rio, sedimentos, ambientes naturais e ocupação do território se relacionam. Essa leitura integrada permitirá comparar diferentes cenários e alternativas de intervenção — afirmou Clarissa Menin.
Para aproximar a população do estudo, serão instaladas as centrais da erosão, em módulos climatizados nas duas localidades. Os espaços funcionarão como pontos de referência para a comunidade ao longo do levantamento, reunindo informações sobre as diferentes etapas da pesquisa e orientações para esclarecer dúvidas. Também será um canal para que os moradores compartilhem relatos e percepções sobre os impactos da erosão no cotidiano das localidades. Os espaços estão abertos de terça-feira a sábado, das 10h às 12h e das 13h às 17h.
A participação da população também será importante para o estudo. Ao menos 211 moradores — 175 em Atafona e 36 no Açu — serão entrevistados para registrar a percepção da comunidade e identificar atividades ligadas à pesca, à navegação, ao turismo e ao lazer.
Fonte: O Globo
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