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Animal que inspirou o herói mutante Wolverine perde espaço para estradas e turismo; entenda

01/10/2026

O carcaju, animal que inspirou Wolverine, o herói mutante da Marvel, está mais raro em áreas das montanhas do Canadá onde há maior presença de estradas e atividades recreativas.
Um novo estudo encontrou menos de 300 animais em uma área de 81,8 mil km², no oeste de Alberta e no leste da Colúmbia Britânica.
Segundo os pesquisadores, a população poderia ser cerca de 30% maior sem os atuais níveis de estradas e recreação.
Publicado na revista científica "Biological Conservation" nesta terça-feira (29), o trabalho aponta pela primeira vez, em uma área tão extensa, uma relação entre atividades recreativas e uma menor densidade populacional de um carnívoro.
E o efeito não se limitou a mudanças no comportamento dos animais. Nas áreas com maior presença humana, os pesquisadores encontraram menos carcajus vivendo no território.
“Fiquei um pouco surpresa com o impacto das atividades recreativas, para ser sincera”, disse Mirjam Barrueto, pesquisadora em ecologia que liderou o estudo durante seu doutorado na Universidade de Calgary (Canadá).
“Não é que eles simplesmente tenham evitado uma pequena área. Havia, de fato, menos indivíduos vivendo nesses locais”, acrescentou Barrueto.
Também chamado de wolverine ou glutão, o carcaju (Gulo gulo) vive principalmente em regiões frias da América do Norte, Europa e Ásia. Apesar da aparência semelhante à de um pequeno urso, ele pertence à família das doninhas e das lontras.
O animal ficou conhecido pela força e pelo comportamento agressivo diante de ameaças e predadores maiores. Essa fama ajudou a inspirar o personagem Wolverine, criado pela Marvel nos anos 1970.
Para medir a presença humana, os pesquisadores analisaram a quantidade de estradas e mapas de uso recreativo produzidos a partir de aplicativos. Entraram nessa conta atividades como esqui fora de pista, heli-esqui, esqui cross-country e caminhadas.
Com isso, o estudo encontrou um padrão claro: quanto maior a presença de estradas ou de atividades recreativas, menor o número de carcajus por área.
Os caminhos, porém, tiveram impacto especialmente forte sobre as fêmeas, algo preocupante porque a espécie se reproduz lentamente: elas costumam ter de um a três filhotes e podem passar anos sem uma nova cria.
Por isso, uma redução no número de fêmeas pode dificultar a recuperação da população por muito tempo.
“Os resultados mostram que atividades humanas podem reduzir, sem querer, o número de animais selvagens mesmo quando nenhum deles é morto. E 30% é muita coisa, especialmente para um animal raro e que se reproduz lentamente”, disse ao g1 Aerin Jacob, coautora do estudo e diretora de Ciência e Pesquisa da Nature Conservancy of Canada.
Como o estudo foi observacional, porém, ele mostra somente uma associação entre a presença humana e a quantidade de carcajus, mas não prova, sozinho, que cada estrada ou cada atividade recreativa cause diretamente a queda da população.
Mesmo assim, os resultados reforçam pesquisas anteriores que já mostravam que os carcajus tendem a evitar áreas muito movimentadas.
Entre as recomendações dos autores estão preservar regiões sem estradas ou com poucas vias, proteger áreas de boa qualidade que ainda tenham baixa presença humana e restringir atividades recreativas em locais usados para reprodução.
A proposta é concentrar a proteção nas áreas mais importantes para a espécie e reduzir o efeito acumulado da presença humana nesses trechos.

Mais uma vez, constatamos que enfrentar de forma preventiva ameaças já conhecidas, enquanto ainda há áreas e populações a proteger, será mais eficaz, mais viável e mais barato do que esperar até que a crise se agrave.
— Mirjam Barrueto, pesquisadora em ecologia que liderou o estudo durante seu doutorado na Universidade de Calgary (Canadá).

Fonte: g1

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