
24/09/2026
A implantação global de energias renováveis precisa mais que dobrar para atingir a meta climática estabelecida para 2030, de acordo com um relatório divulgado nesta segunda-feira (21). A adoção de formas limpas de produção de energia atingiu um nível recorde no ano passado, mas o movimento ainda acontece em um ritmo mais lento do que o necessário.
Na COP28, cúpula das Nações Unidas sobre mudança climática realizada em Dubai, em 2023, mais de 100 países concordaram em triplicar a capacidade de energia renovável global até 2030.
A capacidade instalada global total de energia renovável atingiu 5,15 terawatts no final de 2025, segundo o relatório elaborado pela Agência Internacional de Energia Renovável, pela presidência da COP31 e pela Aliança Global de Energias Renováveis. O valor é menos da metade da meta de 11,2 TW.
No último ano, o mundo adicionou pouco mais de 690 gigawatts de capacidade de energia renovável. Assim, ainda é preciso acelerar as instalações para cerca de 1.200 GW, em média, a cada ano até 2030, para atingir a meta.
Em termos simples, eletrificação significa substituir por alternativas elétricas tecnologias que queimam combustíveis fósseis diretamente —como sistemas de aquecimento a gás e veículos a gasolina.
Para enfrentar as mudanças climáticas, a eletricidade adicional deve vir principalmente de fontes limpas, como a solar e a eólica.
Medidas para melhorar a distribuição de energia e evitar o desperdício, ampliando a eficiência energética também estão aquém do esperado. O documento aponta que o índice melhorou cerca de 2% em 2025, abaixo da taxa anual de 4% necessária para cumprir o compromisso da COP28 de dobrar a eficiência energética.
"As energias renováveis ainda podem preencher a lacuna até 2030, mas a eficiência energética está ficando para trás. A demanda por eletricidade está crescendo mais rápido do que o esperado e a infraestrutura da rede não conseguiu acompanhar o ritmo", afirmou no relatório Francesco La Camera, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Renovável.
São necessários, em média, quase US$1 trilhão (R$ 5,11 trilhões, na cotação atual) por ano em investimentos na rede entre 2026 e 2030, de acordo com o levantamento. Em 2025, o montante aplicado nessa área foi de US$525 bilhões (R$ 2,6 trilhões).
O presidente da Aliança Global de Energias Renováveis, Ben Backwell, afirmou que os governos precisam tornar as energias renováveis uma prioridade econômica nacional. Para fazer isso, disse ele, é necessário expandir as redes, implantar sistemas de armazenamento e eletrificar residências, transporte e indústria.
Espera-se que as negociações climáticas da COP31, que ocorrerão na Turquia em novembro, se concentrem na expansão do uso da eletricidade mais setores. A presidência turca do evento deve pressionar para que seja adotada, de maneira voluntária, uma nova meta: que 35% do consumo final de energia global venha de fontes limpas até 2035.
Fonte: Folha de S. Paulo
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