
22/09/2026
Uma das menores raças de cães, o chihuahua, tem parte de coiote selvagem em sua composição genética, mostra uma pesquisa publicada recentemente. Os chihuahuas são originários do México, mas hoje a raça é um dos cães de companhia populares em diversos países do mundo, como Reino Unido e EUA.
Os genes do coiote podem ter sido introduzidos acidentalmente nos ancestrais do chihuahua. Mas também podem ser resultado de tentativas deliberadas de cruzar os dois animais – talvez há muitas gerações.
Os coiotes são uma espécie canina selvagem, ligeiramente menor que o lobo cinzento, nativa da América do Norte. A presença de genes de coiote no chihuahua, muito menor, destaca a incrível diversidade dos cães domésticos e suas histórias variadas.
Os coiotes são selvagens e territoriais. E qualquer pessoa que já tenha convivido com um chihuahua sabe que estes pequenos animais podem ter grandes personalidades caninas.
Os chihuahuas são o arquétipo dos cães “pequenos, mas bravos”: ousados, independentes, ágeis, mas também capazes de obediência. Eles não são aqueles cachorrinhos de colo pequenos e sedentários. E essas descobertas podem explicar, em parte, o motivo.
O estudo recente explorou marcas genéticas antigas nos genomas de cães e humanos para validar a eficácia de novas técnicas genéticas. O genoma é o conjunto completo de DNA nas células vivas.
Os pesquisadores demonstraram seus métodos em raças de cães com ligações com as Américas, como o chihuahua e outra raça mexicana, o xoloitzcuintli (frequentemente abreviado para xolo). O xolo é tipicamente caracterizado pela ausência de pelos e por uma personalidade frequentemente distante.
Muitos cães nas Américas hoje são descendentes de raças europeias, um resultado da colonização a partir do século XV. Mas pesquisas anteriores mostraram que o chihuahua e o xolo preservam uma pequena quantidade de ascendência – 4% no chihuahua e 3% no xolo – de cães pré-contato, aqueles que viviam nas Américas antes da chegada dos europeus.
A análise genética do xolo no estudo recente sugere que cães europeus e pré-colombianos estavam se misturando por volta de 1700. Isso está de acordo com evidências que sugerem que europeus e populações indígenas se misturaram por volta da mesma época no México antigo.
Pesquisadores já haviam encontrado evidências da ascendência do coiote no DNA de restos mortais de antigos cães domésticos das Américas. Isso nos lembra que os cães não estão tão distantes de outras espécies de canídeos e podem cruzar com elas com sucesso.
Verificou-se que coiotes e lobos selvagens se hibridizam naturalmente, especialmente em áreas geográficas onde traços comportamentais “semelhantes aos do lobo” são benéficos. Houve até mesmo um relato recente de um híbrido de cão com raposa identificado no Brasil.
Ainda não está claro quando exatamente os genes do coiote entraram na linhagem do chihuahua. As histórias precisas das diferentes raças de cães são difíceis de reconstruir, pois muitas vezes faltam evidências documentais detalhadas.
Então, como o chihuahua acabou ficando tão pequeno, apesar desses genes de coiote? Essa questão deve ser vista sob a ótica da reprodução seletiva, na qual os humanos escolhem diferentes cães para reprodução com base nas características que preferem.
Análises genéticas revelam que quase todas as raças de cães pequenos compartilham uma mutação no gene do fator de crescimento semelhante à insulina 1 (IGF1), que afeta o crescimento celular e, consequentemente, o tamanho corporal. A seleção de cães pequenos com essa mutação parece ter ocorrido bem no início da domesticação canina.
Há algumas evidências da presença de cães de porte pequeno entre as culturas mesoamericanas pré-contato, mas não se sabe como eles se relacionam com os chihuahuas.
Alguns cães, como o cão-lobo tchecoslovaco, parecem visivelmente mais com seus parentes canídeos selvagens e ancestrais, como o lobo cinzento. Eles têm orelhas eretas, corpos musculosos e atléticos e pelagem que proporciona camuflagem e proteção contra condições ambientais extremas.
Outros cães apresentam variações extremas: características exageradas, como costas longas ou pernas curtas. Em alguns casos, essas características físicas trazem consequências significativas para a saúde e o bem-estar dos animais.
O tamanho corporal geral é particularmente variável nos cães, com uma diferença de 40 vezes entre diferentes raças e tipos. Imagine o minúsculo chihuahua ao lado de um imponente grande danês, por exemplo.
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