
10/09/2026
O futuro de uma área de cerca de 600 mil metros quadrados ocupada pela Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, às margens da Avenida Brasil, pode esbarrar em um problema que vai além da crise financeira e política que envolve a empresa. O terreno tem histórico de contaminação do solo e das águas subterrâneas por derivados de petróleo, o que pode limitar seu uso durante anos. As informações são d´O Globo.
A área, equivalente a cerca de 84 campos de futebol, é ocupada pela refinaria há mais de sete décadas. O Grupo Refit teve a falência decretada pela Justiça do Rio no fim de agosto, depois de quase dez anos de recuperação judicial e do crescimento de seu passivo fiscal.
O terreno entrou no radar do Governo do Estado do Rio de Janeiro, que tenta discutir com a União uma nova destinação para o imóvel. Há, porém, uma particularidade jurídica: a propriedade pertence à União e a refinaria detém o chamado domínio útil da área.
A disputa sobre esse direito já havia aparecido em agosto, quando a União tentou impedir o leilão do terreno da Refinaria de Manguinhos.
Além da questão patrimonial, há o passivo ambiental.
Uma fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) identificou contaminação por hidrocarbonetos no terreno e nas águas subterrâneas. Análises sobre a evolução da área entre 2020 e 2025 apontaram novos sinais de contaminação.
Parecer técnico do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) estima que determinadas áreas poderiam exigir entre oito e nove anos de tratamento, desde que não ocorram novos vazamentos.
A dimensão do problema ganha peso pela localização da antiga refinaria.
O terreno fica próximo a comunidades densamente povoadas, como Manguinhos e Parque Arará, na Zona Norte, além da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Também há conexão com a rede hídrica da região. O Rio Jacaré desemboca no Canal do Cunha, que chega à Baía de Guanabara.
A contaminação pode dificultar projetos que envolvam ocupação residencial, comércio ou outros usos com maior circulação de pessoas. Antes de qualquer mudança, seriam necessários estudos sobre o nível de contaminação, os riscos existentes e as medidas de recuperação ambiental.
Cláudio Mahler, professor do Programa de Engenharia Civil da Coppe/UFRJ, avalia que não há solução rápida.
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