
08/09/2026
A forma como hoje falamos, regulamos e nos preocupamos com a mata atlântica, onde vive a maior parte dos brasileiros, entrelaça-se com a história de uma instituição cujo nome leva um pedido de socorro: SOS Mata Atlântica. No aniversário de 40 anos, a serem completados no dia 20 deste mês, a fundação tenta repetir com as novas gerações algo que fez com sucesso em seus primórdios: a mobilização popular.
Nascida nos anos 1980, em meio ao processo de redemocratização do Brasil e do borbulhante movimento ambiental no país, a primeira grande mobilização da entidade foi um abaixo-assinado, em 1991, atuando por um rio Tietê despoluído.
À época, o governador do estado, Luiz Antônio Fleury Filho (então PMDB-SP), prometeu que "em torno de oito anos já será possível pescar". Em 2026, quem passa ou vive em São Paulo provavelmente sabe que isso não se tornou a realidade do Tietê, ainda monitorado pela SOS Mata Atlântica.
O abaixo-assinado foi um sucesso. Mais de 1 milhão de assinaturas coletadas.
"Um milhão de assinaturas no papel. A pessoa ia lá, assinava o papel, mandava pelo correio", diz Marcia Hirota, que está na fundação há mais de 30 anos e hoje preside o conselho da entidade. "Você imagina como era fazer mobilização? Telefonava-se, um por um. E mesmo assim fomos buscando engajar a sociedade, buscando trazer mais pessoas para a luta."
Alguns anos antes, em 1986, a SOS estava tendo suas bases estruturadas.
"Conseguimos ser parte do início do movimento socioambiental no Brasil. Foi incrível ter participado disso", afirma Roberto Klabin, vice-presidente do conselho da fundação. Um dos fundadores da SOS, ele a presidiu por algum tempo.
O surgimento da SOS, segundo Klabin, partiu de uma provocação do jornalista Rodrigo Lara Mesquita por mais atenção ao bioma. Nos primórdios, também estava ali Fabio Feldmann, primeiro presidente da SOS. Deputado federal constituinte, ele é reconhecido pela liderança para inclusão da questão ambiental na Constituição de 1988.
Otavio Frias Filho, diretor de Redação da Folha que morreu em 2018, também foi um dos fundadores da SOS.
"À época da criação da SOS, poucos brasileiros sabiam da existência e da importância da mata atlântica", afirma Feldmann. "Agora ela é considerada pelas pessoas e pela Constituição um patrimônio a ser preservado. E ainda assim ela continua vulnerável face a um desmatamento miúdo e constante e esvaziamento intencional da sua proteção legal."
Inicialmente, a entidade conseguiu projeção com a campanha "Estão tirando o verde da nossa Terra", que tomou corpo e espaço no imaginário público. Era acompanhada do atual símbolo da entidade: uma bandeira do Brasil sem uma grande fatia de seu verde.
O fim da retirada do verde do país, assim como a despoluição do Tietê, ainda parece um tanto distante de ter uma resolução definitiva. Isso apesar de promessas de desmatamento zero, ao menos o ilegal, e de significativas reduções na derrubada de vegetação na mata atlântica e na amazônia, especialmente no atual governo Lula.
Em meio ao sucesso inicial, a fundação se via com uma questão. "O problema era recurso", diz Klabin. "Como fazer com que pudéssemos garantir a sustentabilidade dessa entidade?"
A matéria na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo
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