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Crocodilos-do-nilo nascem na França devido às sucessivas ondas de calor

27/08/2026

As ondas de calor na França produziram um resultado inesperado em um parque de vida selvagem: dez crocodilos-do-nilo nasceram sem assistência humana pela primeira vez. A informação foi divulgada nesta terça-feira (25) pela reserva La Ferme aux Crocodiles, localizada na cidade de Pierrelatte, no sudeste do país.
Na natureza, os ovos de crocodilos-do-nilo são incubados em ninhos subterrâneos, mas zoológicos costumam chocá-los em incubadoras cuidadosamente controladas, com monitoramento rigoroso da temperatura e da umidade.
"Pela primeira vez, tivemos uma incubação que ocorreu inteiramente em condições naturais", disse o diretor da reserva, Samuel Martin, à agência de notícias AFP.
O processo sem precedentes que possibilitou o nascimento dos filhotes em solo francês é, acima de tudo, um indicador da mudança climática, afirmou Martin.
Um ovo de crocodilo-do-nilo, espécie originária da África, precisa ser mantido a uma temperatura constante de 30°C a 32°C durante cerca de três meses para que o embrião se desenvolva e nasça.
A França enfrentou três ondas de calor neste verão europeu, com um recorde de 52 dias de temperaturas extremas —situação agravada pelo aquecimento global causado por atividades humanas. O período prolongado de altas temperaturas criou condições ideais para que a espécie subtropical se reproduzisse naturalmente, pois a areia reteve o calor acumulado durante o dia.
No sábado (22), visitantes alertaram os funcionários depois de avistarem dez crocodilos-do-nilo saindo dos ovos. Todos os filhotes estão bem, embora permaneçam sob observação rigorosa no berçário antes de serem apresentados ao público.
"Esse nascimento surpreendente nos lembra que nosso clima está mudando e que verões mais quentes e prolongados podem ter efeitos muito concretos sobre os seres vivos", afirmou a instituição em comunicado.
A La Ferme aux Crocodiles se apresenta como o maior parque de vida selvagem da Europa dedicado a répteis.
Martin pondera que, embora espécies originárias de países muito quentes estejam se sentindo confortáveis neste verão extremo, animais provenientes de regiões com climas mas temperados podem ter sofrido mais.

Fonte: Folha de S. Paulo

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