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Como os ´químicos eternos´ impactam a sustentabilidade

25/08/2026

De painéis solares a turbinas eólicas, baterias e células de hidrogênio, muitas tecnologias de energia renovável que impulsionam a transição energética compartilham um ingrediente comum: uma classe de substâncias criadas pelo ser humano conhecidas como "produtos químicos eternos".
Esse grupo engloba 10 mil produtos químicos sintéticos –também conhecidos como substâncias per- e polifluoroalquiladas (PFAS)– que persistem no meio ambiente e podem levar milhares de anos para se decompor.
Amplamente detectadas na água potável, a exposição a certos níveis de PFAS está associada a um risco aumentado de câncer, supressão da função imunológica, redução da fertilidade e atrasos no desenvolvimento infantil.
Esse impacto na saúde inspirou a proibição de fontes conhecidas de PFAS tóxicos, como sprays impermeabilizantes para roupas, panelas antiaderentes de Teflon, espuma de combate a incêndios, embalagens e produtos cosméticos.
Enquanto as proibições recentes na França, Nova Zelândia e Dinamarca visam PFAS específicos usados em produtos de consumo, a União Europeia (UE) defende medidas mais abrangentes.
Entre os milhares de produtos químicos permanentes que a UE propõe proibir, estão os fluoropolímeros, valorizados por sua resistência a temperaturas extremas, corrosão e degradação por raios UV, e presentes em diversas tecnologias verdes, desde baterias de íon-lítio até painéis solares.
Em baterias de veículos elétricos, por exemplo, aglutinantes criados com fluoropolímeros de PTFE –também encontrados em produtos de Teflon– são usados para revestir eletrodos secos, aumentando a eficiência energética.
A indústria química se opôs à proposta de proibição na Europa. Uma aliança das principais empresas químicas do mundo, a Performance Fluoropolymer Partnership (PFP), afirma que as preocupações com a saúde relacionadas a alguns tipos de PFAS estão levando a "restrições injustificadas" na produção e no uso de fluoropolímeros.
Em uma declaração em seu portal de internet descrevendo os fluoropolímeros como "cruciais na luta contra as mudanças climáticas", a PFP declarou que quaisquer proibições "prejudicariam nossas metas climáticas e energéticas, possivelmente tornando a transição mais cara ou simplesmente impossível".
Entre os membros da PFP está a ramificação química do conglomerado multinacional americano 3M –que está sendo processado em mais de US$ 2 bilhões (R$ 10,3 bilhões) pelo governo australiano por sua espuma de combate a incêndios que liberou substâncias químicas permanentes no meio ambiente– e a Chemours Company, fabricante do Teflon fundada pela gigante química DuPont.
A Agência Europeia do Ambiente afirma que esses polímeros são considerados "relativamente menos problemáticos" do que os blocos de construção dos PFAS, conhecidos como monômeros. Isso se deve a um tamanho molecular maior que "limita sua absorção pelas células vivas" e à potencial toxicidade.
No entanto, os fluoropolímeros ainda se degradam com o tempo, levantando "preocupações adicionais com o meio ambiente e a saúde humana", segundo a agência. Especialistas dizem que esses polímeros inevitavelmente emitirão PFAS durante seu ciclo de vida e entrarão no meio ambiente –e em organismos vivos– por meio da erosão e do estresse físico durante longos períodos.

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