
13/08/2026
A vegetação nativa ocupava 79% do território brasileiro em 1985. Quatro décadas depois, essa participação caiu para 65%, segundo a nova coleção de dados do MapBiomas, que reúne informações sobre cobertura e uso da terra no país até 2025.
No mesmo período, a área destinada à agropecuária aumentou de 18% para 32% do território nacional.
O levantamento, divulgado nesta quarta-feira (12), mostra que, apesar da redução do desmatamento registrada nos anos mais recentes, as mudanças acumuladas desde 1985 alteraram uma parcela expressiva do território.
📝ENTENDA: Os dados fazem parte da Coleção 11 do MapBiomas, que acompanha anualmente as mudanças na cobertura e no uso da terra no Brasil desde 1985 e, nesta edição, reúne 33 classes de mapeamento.
Cerca de um terço do Brasil teve ao menos uma mudança de cobertura ou de uso da terra ao longo dos 41 anos analisados.
Na comparação direta entre 1985 e 2025, 241 milhões de hectares apresentam uma classificação diferente, e 56% dessa área corresponde à conversão de vegetação nativa para usos agropecuários.
As maiores perdas absolutas de vegetação nativa ocorreram na Amazônia e no Cerrado, com redução de 53,9 milhões e 51,7 milhões de hectares, respectivamente.
Proporcionalmente, porém, Cerrado e Pampa tiveram as maiores quedas dentro de seus próprios territórios, de 34% e 32%. A Mata Atlântica continua sendo o bioma com a menor proporção de vegetação nativa, com 32% em 2025.
A transformação também aparece na maior parte dos estados. Entre 1985 e 2025, 25 estados e o Distrito Federal reduziram a participação da vegetação nativa.
O Rio de Janeiro foi a única exceção apontada pelo levantamento, com aumento de 1% no período.
Rondônia teve uma das mudanças mais acentuadas: a parcela do estado coberta por vegetação nativa passou de 92% para 59%.
Entre os usos que ganharam espaço, a agricultura passou de 18,6 milhões para 66,5 milhões de hectares.
A soja respondeu por boa parte dessa expansão: saltou de 4,5 milhões de hectares em 1985 para 44,2 milhões em 2025.
As pastagens chegaram a 165,6 milhões de hectares e ainda representam mais da metade da área agropecuária brasileira.
A nova coleção também cruza as mudanças no uso da terra com dados de chuva durante três episódios fortes de El Niño — 1997/1998, 2015/2016 e 2023/2024.
Na Amazônia, o último desses eventos teve o maior déficit de precipitação entre os biomas analisados: nas áreas agropecuárias, foram 178 milímetros de chuva abaixo da média climatológica entre setembro e novembro.
Cerrado e norte da Mata Atlântica também registraram agravamento da redução das chuvas entre os episódios analisados.
No Sul, o comportamento foi diferente. Os eventos de El Niño estiveram associados a excesso de chuva, principalmente no Pampa e na porção sul da Mata Atlântica.
Segundo o MapBiomas, a comparação ajuda a mostrar como regiões com diferentes tipos de cobertura e uso da terra respondem de formas distintas aos extremos de precipitação.
Fonte: g1
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