
06/08/2026
Os incêndios que atingem a região de Atenas, na Grécia, ainda representavam uma ameaça nesta segunda-feira (3), apesar da redução das rajadas de vento e da intervenção feita com mais de dez aviões-tanque.
Panagiotis Margetis, prefeito de Megara, cidade 30 km a oeste da capital e um dos principais focos desses incêndios, reportou uma reativação do fogo.
"Apesar de o vento ter enfraquecido na região, em Kandyli ainda há rajadas e correntes geradas pelo ar quente que sobe e observa-se uma reativação do fogo", afirmou ele à AFP.
Os principais focos situam-se nas localidades de Kandyli e Agia Skepi, 50 km ao noroeste de Atenas.
Margetis disse à emissora estatal Ertnews que o fogo muda constantemente de direção e está se aproximando da zona industrial de Megara, o que é muito perigoso.
Segundo a assessoria de imprensa dos bombeiros, o incêndio se intensificou. No entanto, isso é considerado normal, já que ainda há focos ativos.
Afetada todo verão por incêndios devido às frequentes ondas de calor e à seca, a Grécia esteve até então relativamente a salvo dos grandes fogos que atingiram, no início da temporada, a França e a Espanha.
Mas em uma semana mais de 12 mil hectares de florestas e terras agrícolas queimaram no território grego, que, assim como todo o litoral mediterrâneo, foi duramente afetado pela crise climática.
Diante do recrudescimento das chamas perto de Megara, que tem mais de 20 mil habitantes e é uma das cidades industriais do oeste de Atenas, os bombeiros continuam em alerta.
Graças à diminuição dos ventos, que chegaram a superar os 100 km/h nos últimos dias, 13 aviões-tanque puderam decolar cedo nesta segunda-feira para apoiar os 12 helicópteros e os 450 efetivos mobilizados em terra.
"Eu diria que se trata, sem dúvida, de uma das piores crises relacionadas a incêndios que tivemos de enfrentar nos últimos 8 ou 10 anos", disse à AFP o pesquisador Théodore Giannaros, do Observatório Nacional da Grécia.
E o aumento das temperaturas previsto para quarta-feira (5), de até 37°C, poderá complicar a situação.
"Os combustíveis vão secar ainda mais rapidamente e isso os tornará mais inflamáveis", afirmou Giannaros.
Os habitantes da região dizem não conseguir acreditar na magnitude da catástrofe, que afetou áreas florestais e agrícolas, sobretudo olivais.
Até o momento, pouquíssimas residências foram queimadas, segundo constataram os fotógrafos da AFP. O fogo destruiu principalmente a vegetação das encostas das montanhas.
"É um desastre total, o que aconteceu é inaceitável", disse à AFP Konstantinos Makrinoris, ex-prefeito da cidade de Vilia, perto de Porto Germeno, uma localidade às margens do golfo de Corinto onde muitos atenienses vão passar o verão.
"O fogo conseguiu percorrer 45 km até aqui a partir do local onde começou", detalhou.
Um fotógrafo da AFP viu colunas de fumaça se elevarem sobre a encosta de uma montanha e sobre alguns olivais, mas a situação é incomparável à da véspera, quando os ventos impulsionavam as chamas.
Ao todo, o país registra cinco óbitos em razão dos incêndios. Na semana passada, três bombeiros morreram. Neste domingo, perderam a vida um piloto e o copiloto de um helicóptero que colidiu com outro aparelho enquanto tentavam controlar as chamas nos arredores de Psatha.
Fonte: Folha de S. Paulo
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