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Poeira de desertos fica mais intensa na Europa e amplia riscos à saúde, aponta estudo

16/07/2026

A poeira carregada por longas distâncias aumentou em grande parte da Europa na última década, com avanços mais fortes na Itália e nas regiões dos mares Adriático e Egeu.
Embora esses episódios não tenham se tornado mais frequentes, eles ficaram mais intensos em áreas do sul do continente, conclui um estudo publicado na revista científica "Nature" nesta quarta-feira (15).
A maior parte desse material vem dos desertos do Saara e do Oriente Médio. Os grãos mais leves são levantados pelo vento e percorrem milhares de quilômetros, como uma fumaça invisível que atravessa fronteiras antes de alcançar cidades e zonas rurais europeias.
Para acompanhar essa trajetória, os pesquisadores reuniram cerca de 18,5 mil medições diárias feitas em 103 locais e criaram um modelo capaz de estimar a concentração de poeira entre 2012 e 2021.
Os resultados mostram que o sul da Europa registrou, em média, cerca de 46 episódios por ano.
Em 2021, apenas a poeira transportada respondeu por 31% do limite anual recomendado pela Organização Mundial da Saúde para partículas inaláveis maiores, conhecidas como PM10.
Durante os episódios, a exposição foi associada a um aumento estimado de 0,67% na mortalidade diária e de 0,73% nas internações por problemas respiratórios entre pessoas com mais de 15 anos.
Os pesquisadores relacionam o agravamento dos episódios a alterações na circulação atmosférica, que favoreceram o transporte de poeira do norte da África para a Europa.
Ao mesmo tempo, a redução da umidade do solo e o avanço da desertificação deixam mais material solto disponível para ser levado pelos ventos.
Registros preservados no gelo dos Alpes reforçam essa tendência de longo prazo. A quantidade de poeira depositada na região aumentou cerca de 110% desde o período anterior à industrialização.
O estudo, contudo, não conclui que todos os países europeus foram afetados da mesma maneira. A cobertura de medições foi menor no nordeste do continente, nos Bálcãs e na Escandinávia, o que limita a precisão das estimativas nessas áreas.

Fonte: g1

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