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Descoberta no Rio Grande do Sul revela réptil que antecedeu dinossauros e crocodilos

13/07/2026

Muito antes dos dinossauros dominarem os continentes e de surgirem os crocodilos modernos, seus ancestrais já passavam por uma fase decisiva em sua trajetória evolutiva. Foi nesse mundo antigo, logo após a maior extinção em massa da história da Terra, que viveu uma nova espécie de réptil fóssil descoberta no interior do Rio Grande do Sul.
Batizada de Silescelida acristata, a espécie viveu há cerca de 240 milhões de anos, durante o Período Triássico Médio. O fóssil foi encontrado em Dona Francisca, na região central do Rio Grande do Sul, em rochas que fazem parte do Geoparque Quarta Colônia UNESCO.
A descoberta ajuda a preencher uma lacuna importante sobre a evolução dos arcossauriformes, grupo de répteis que deu origem aos arcossauros. Os arcossauros, por sua vez, são a linhagem que abrange dois dos grupos mais conhecidos de vertebrados terrestres: os crocodilos e os dinossauros, incluindo as aves.
O estudo foi conduzido por pesquisadores do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia da Universidade Federal de Santa Maria, o CAPPA/UFSM, em colaboração com pesquisadores da UFRGS e da PUCRS, e foi publicado na revista científica Scientific Reports.
Quando Silescelida acristata viveu, os ecossistemas terrestres ainda se recuperavam da extinção Permo-Triássica, ocorrida cerca de 252 milhões de anos atrás. Esse evento eliminou grande parte da vida no planeta e abriu espaço para a diversificação de novos grupos de animais.
Foi nesse cenário de recuperação ecológica que diferentes linhagens de répteis começaram a ocupar novos papéis nos ambientes terrestres. Entre elas estavam os arcossauriformes, que experimentaram uma grande diversificação durante o Triássico. Silescelida acristata era um animal relativamente pequeno, de corpo esguio e locomoção quadrúpede. Seu tamanho pode ser comparado ao de um pequeno jacaré.
Embora não fosse um dinossauro nem um crocodilo, ele pertencia a uma linhagem próxima das formas que antecederam a origem desses grupos. Sua dieta provavelmente incluía animais menores, o que sugere que ele ocupava o papel de pequeno predador nos ecossistemas triássicos do Sul do Brasil.
O fóssil preserva principalmente partes dos membros, e, à primeira vista, esse tipo de material pode parecer limitado, mas ele carrega informações importantes sobre a locomoção e o parentesco evolutivo do animal.
Uma das características mais relevantes de Silescelida acristata está em seu fêmur, osso da coxa. Assim como alguns de seus parentes próximos, ele possuía pernas em uma posição mais semi-ereta, projetadas mais abaixo do corpo do que lateralmente.
Essa alteração permitia uma locomoção mais eficiente, reduzindo o arrasto do corpo contra o solo. Em termos evolutivos, esse tipo de transformação está relacionado ao conjunto de mudanças anatômicas que, mais tarde, seria fundamental para o sucesso dos arcossauros.
Em outras palavras, o novo fóssil ajuda a entender uma fase anterior à ascensão dos dinossauros e crocodilos, quando seus parentes próximos ainda estavam experimentando diferentes formas de corpo, postura e locomoção.
As análises de parentesco indicam que Silescelida acristata pode estar relacionado aos Euparkeriidae, um grupo raro de arcossauriformes ainda pouco compreendido pela ciência.
Até então, fósseis associados a esse grupo eram conhecidos principalmente nos continentes da África, Ásia e Europa. A presença de uma forma relacionada aos Euparkeriidae na América do Sul amplia significativamente a distribuição geográfica conhecida desses animais.
Isso sugere que esses répteis estavam mais espalhados pelo mundo durante o Triássico do que o registro fóssil indicava. Também reforça a importância da América do Sul para o estudo da origem e diversificação dos grandes grupos de vertebrados terrestres.

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