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Natura cria startup para vender ingredientes da amazônia a outras indústrias

07/07/2026

A Natura lançou uma startup dedicada a vender matérias-primas da amazônia a outras indústrias, em uma aposta para ampliar o uso de espécies do bioma na fabricação de alimentos, remédios e cosméticos.
A nova companhia, chamada Natura Ingredientes, busca facilitar o acesso aos insumos em cadeias produtivas sem experiência no manejo de recursos da floresta e assinou acordos para entregas neste ano com a marca britânica de beleza Lush e a empresa brasileira de suplementos Mahta.
A startup funciona no formato B2B (business to business) e nasce com um portfólio de 24 matérias-primas, todas já usadas em cosméticos da Natura. Além de alimentos conhecidos pelos brasileiros, como cacau, cupuaçu e castanha-do-pará, a lista inclui itens menos difundidos no mercado nacional, a exemplo de murumuru, pataqueira e ishpink.
Vários desses ingredientes têm propriedades ainda pouco exploradas comercialmente. O açaí, também colocado à venda, apresenta efeito neuroprotetor em cérebros de adolescentes, apontou estudo recente.
Os ingredientes poderão ser comercializados na forma de manteigas, óleos ou essências aromáticas, permitindo aplicações variadas. A startup garantirá a origem ambientalmente correta dos recursos.
José Manuel Silva, vice-presidente de Novos Negócios da companhia, disse à Folha que a iniciativa pretende avançar na bioeconomia, sistema baseado no uso sustentável de ativos biológicos. Segundo ele, o desenho da startup se baseou na experiência de 25 anos da empresa com a gestão de recursos da floresta.
"O objetivo principal é conectar o que já é produzido a uma demanda global, garantindo a segurança e a escala na entrega de insumos rastreáveis especificamente para indústrias dos setores de alimentos, farmacêutico e de cosméticos", diz.
Silva afirma que a Natura identificou a oportunidade de fortalecer a própria cadeia de suprimentos ao facilitar o acesso de empresas que desejam atuar na amazônia. O vice-presidente explica que a abertura ao mercado externo não interfere no abastecimento da marca, que permanece garantido com um planejamento de safra.
"Tanto a empresa quanto os produtores parceiros se beneficiam do ganho de escala, do aumento do valor agregado na base da cadeia e da maior resiliência geral do modelo de negócios", afirma. "Ao expandir o mercado para esses ativos, a empresa mitiga riscos operacionais e otimiza o processo logístico na região."
A Natura diz que 13,1% das matérias-primas usadas no ano passado vieram da região amazônica, envolvendo o trabalho de 11 mil famílias nos diversos países que compõem o bioma. O último relatório de sustentabilidade da companhia, divulgado em junho, indicou que 52 bioativos fazem parte do portfólio da marca.
A empresa afirma que investiu R$ 62,3 milhões nas comunidades fornecedoras em 2025. A Natura também aposta no processamento de sementes e polpas dentro da floresta, com agroindústrias de pequeno porte.
Silva afirma que a bioeconomia tem potencial de alcance global. "A iniciativa fomenta o uso em escala de ingredientes naturais e éticos, provando que a inovação industrial pode e deve caminhar com a preservação da floresta e o fortalecimento socioeconômico local", disse.
A criação da startup deve ajudar a atingir os compromissos socioambientais da Natura, que tem a meta de quadruplicar a compra de insumos da amazônia até 2030 e se tornar um negócio 100% regenerativo até 2050.

Veja quais são os produtos vendidos pela Natura Ingredientes na Folha de S. Paulo

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