
07/07/2026
Um empreendimento do grupo JHSF Fasano está provocando uma disputa ambiental e política na Sardenha, um dos destinos mais conhecidos na Itália pelo turismo de luxo. A primeira fase do projeto enfrenta oposição de grupos ambientalistas devido a intervenções em área de vegetação destinada à conservação.
Em junho, o caso evoluiu para um embate entre o governo italiano e a administração regional e foi parar na Justiça. Uma audiência sobre o caso foi marcada para a próxima quarta-feira (8). Parte da população local é contra o empreendimento, e uma petição online já foi assinada por mais de 75 mil pessoas.
Chamado de Fasano Al Mare Beach Club, o projeto localizado em Cala Finanza é anunciado nas redes sociais do grupo como espaço para hóspedes e visitantes. Ele ocupa as instalações à beira-mar de uma casa dos anos 1960, conhecida como Villa Joy, que teria sido comprada pelo grupo. Nas imagens promocionais, além de uma construção principal, é possível ver piscina, quadras esportivas e pergolados.
O clube chegou a funcionar em agosto do ano passado e para este verão estavam previstas obras de requalificação da estrutura —a reabertura foi anunciada para 1º de julho.
Foi solicitada autorização para abertura no bosque de trilhas para pedestres e para a realização de sete módulos habitacionais removíveis do tipo "glamping" (junção de "glamour" com "camping") e outros dois para escritórios, além de caminhos entre as unidades e a praia e instalações de rede de esgoto, água e eletricidade. O pedido inclui ainda a mudança da tipologia de uso, de residencial para turístico-hoteleiro.
Grupos ambientalistas contestam as obras porque a legislação da Sardenha veta desde os anos 1990 edificações na faixa de 300 metros do mar –a área da Villa Joy fica a cerca de 30 metros do mar. A vegetação compõe o bioma chamado de "macchia" mediterrânea. O projeto também vai contra o plano paisagístico regional, de 2006, que define a paisagem como o principal recurso identitário da Sardenha.
"Se trata de uma zona que faz parte de vínculos paisagísticos ambientais de conservação integral. Ou seja, não pode ser modificada por iniciativas turístico-imobiliárias desse tipo", diz Stefano Deliperi, presidente da associação ecologista Grupo de Intervenção Jurídica, que acompanha o caso.
Nos documentos, os empreendedores são citados como sociedade Tavolara Bay, que teria a JHSF como sócia principal. Outra companhia é a BD Capital, que se define como "holding de investimento".
A questão ganhou dimensão política e atraiu a atenção da imprensa devido à modalidade com que os responsáveis pelo empreendimento pediram a autorização para operar em Cala Finanza. A Tavolara Bay recorreu a um mecanismo chamado de Zona Econômica Especial (ZEE), em vigor desde 2024, criado para facilitar iniciativas de desenvolvimento no sul do país.
Segundo o site do Departamento para o Sul, secretaria vinculada ao gabinete da primeira-ministra Giorgia Meloni, o mecanismo de autorização única ZEE tem a intenção de atrair novos investimentos "por meio de simplificações administrativas e instrumentos de incentivo".
Foi de olho na simplificação burocrática que o grupo usou a ZEE para concretizar as obras no clube Fasano Al Mare. "Em um projeto complexo como esse, o principal valor da ZEE é a possibilidade de concentrar o debate técnico e administrativo dentro de uma única conferência de serviços, garantindo maior clareza nos prazos e nas interlocuções", disse Alberto Biancu, CEO da BD Capital, ao jornal L’Unione Sarda.
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