
30/06/2026
O mais recente relatório “Global Market Outlook For Solar Power 2026 – 2030”, elaborado pela SolarPower Europe, mostra que o Brasil perdeu uma posição no ranking global e caiu para o quinto maior mercado fotovoltaico do mundo, ficando atrás da China, Índia, Estados Unidos e Alemanha.
Pelo relatório, divulgado nesta semana na Intersolar Europe, em Munique, na Alemanha, e que contou com participação direta da ABSOLAR na construção do conteúdo, o Brasil adicionou, em 2025, 14,5 gigawatts-pico (GWp) de potência pico da fonte solar, uma queda de 23% ante aos 18,9 GWp que entraram no ano anterior.
Os dados consideram a somatória das grandes usinas fotovoltaicas e dos sistemas de geração própria solar de pequeno e médio portes, em telhados e fachadas de edifícios e em pequenos terrenos, com base na potência total adicionada ao longo de 2025. O estudo da SolarPower Europe está padronizado para a unidade de potência pico (GWp) e não para potência nominal instalada (GWac), que é o modelo mais utilizado nos dados divulgados publicamente pelos órgãos oficiais brasileiros.
Além da queda brasileira no ranking, outros dados do relatório chamam a atenção. Um deles é a segunda colocação da Índia em termos de potência adicionada no ano, que ultrapassou de forma inédita os Estados Unidos. O outro é a penetração per capta da tecnologia fotovoltaica na Austrália, com cerca de 1,7 kilowatt (kW) de energia solar para cada cidadão australiano.
A Austrália continua sendo, de longe, a líder global, ampliando ainda mais sua vantagem capacidade solar instalada por habitante em 2025. Os Países Baixos aparecem em seguida, agora acima da marca de 1,5 kW por habitante, enquanto a Alemanha consolida sua posição no terceiro lugar, tendo superado com folga o patamar de 1 kW per capita nos últimos dois anos.
No caso brasileiro, a perda de posição no ranking global, de quarto para quinto colocado entre os maiores mercados na tecnologia, está diretamente relacionada com os cortes de geração renovável sem o devido ressarcimento aos empreendedores prejudicados e aos obstáculos de conexão na geração própria dos consumidores, sob a alegação de incapacidade das redes e inversão de fluxo de potência. Adicionalmente, o mercado solar enfrentou um cenário macroeconômico desfavorável, como alto custo de capital, volatilidade do dólar e alíquotas elevadas no imposto de importação de equipamentos fotovoltaicos.
Atualmente, a fonte solar é a segunda maior na matriz elétrica nacional, com 70 GWac em operação no Brasil, que representam 26,2% de toda a capacidade instalada. O setor fotovoltaico brasileiro é responsável por mais de R$ 305 bilhões em investimentos acumulados, que geraram mais de 2,1 milhão de empregos verdes no País desde 2012.
Na avaliação da ABSOLAR, no quesito transição energética coordenada, a Austrália, que segue como líder global de capacidade solar instalada por habitante, é um grande exemplo de fomento à expansão fotovoltaica acompanhado do devido planejamento das redes para receber essa nova geração, incluindo investimentos e incentivos aos sistemas de armazenamento por baterias, bem como medidas de modernização da infraestrutura elétrica.
“Se aplicássemos os 1,7 kW da Austrália aos 213 milhões de habitantes do Brasil, seriam impressionantes 362 GWp. Mas, no caso brasileiro, a operação do Sistema Interligado Nacional (SIN) chegou a um ponto de inflexão. O sistema elétrico nacional cresceu em geração renovável solar, eólica, hídrica a fio d’água, biomassa e biogás, porém sem o correspondente investimento em mecanismos de flexibilidade, armazenamento de energia elétrica e controle de carga”, pontua Bárbara Rubim, presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR.
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