
30/06/2026
O carbono armazenado há milhares de anos nos solos congelados do permafrost, camada de solo que permanece congelada durante todo o ano em regiões frias, é visto como uma fonte crescente de gases de efeito estufa à medida que o planeta aquece. Mas um novo estudo aponta um efeito menos conhecido desse processo: o degelo também pode favorecer a remoção de CO₂ da atmosfera. Publicada na revista Nature, a pesquisa mostra que a degradação do permafrost intensifica a erosão das rochas, ampliando a capacidade dos rios de neutralizar emissões de dióxido de carbono. Com o aquecimento global, minerais reativos ficam mais expostos e as interações entre água e rocha se tornam mais frequentes, acelerando reações químicas que consomem CO₂.
Em algumas bacias hidrográficas, essa absorção geológica de carbono chega a compensar parcial ou totalmente as emissões de CO₂ dos rios. Para investigar esse fenômeno, uma equipe da Umeå University e da East China Normal University analisou 50 rios no Planalto Qinghai-Tibete. O objetivo foi entender como o degelo do permafrost está remodelando o ciclo do carbono. Fora das regiões polares, o planalto localizado no sudoeste da China abriga a maior criosfera de alta altitude do planeta (áreas cobertas por neve ou gelo durante todo o ano) e é frequentemente chamado de “Teto do Mundo”.
Combinando diferentes métodos de análise, os pesquisadores investigaram o comportamento do carbono nos rios. Eles mediram diretamente as emissões de CO₂ na água e também analisaram o carbono dissolvido, que corresponde ao carbono presente nos rios em formas invisíveis. Além disso, utilizaram traçadores isotópicos, uma técnica capaz de identificar a origem e o percurso do carbono por meio de variações naturais em seus átomos, e modelos geoquímicos, que simulam como as reações químicas ocorrem na natureza.
Os resultados apontaram que o degelo das paisagens intensifica o intemperismo químico, processo no qual as rochas se desgastam e reagem com a água. Esse mecanismo transforma parte do carbono em formas inorgânicas dissolvidas e também contribui para a remoção de CO₂ da atmosfera. Em alguns casos, a absorção de carbono pode até superar as emissões dos rios, o que desafia a ideia de que o degelo do permafrost atua apenas como uma fonte de gases de efeito estufa. Diante dessas evidências, os pesquisadores defendem que futuras avaliações climáticas considerem não apenas as emissões biológicas de carbono, mas também os fluxos geológicos que surgem com o descongelamento das paisagens. Segundo eles, esses processos podem alterar de forma significativa o balanço de carbono em regiões de permafrost.
Fonte: CicloVivo
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