
30/06/2026
Com um investimento de 400 milhões de euros em subsídios, a Comissão Europeia selecionou 65 projetos de 10 países que propõem novas formas de gerar o calor necessário para processos industriais sem depender da queima de combustíveis fósseis. As iniciativas incluem tecnologias como energia geotérmica, que aproveita o calor natural do interior da Terra; corte a plasma, que utiliza gás ionizado para cortar e fundir metais; além de concentração solar, aquecimento eletromagnético e dialético e bombas de calor. Os projetos contemplam alguns dos maiores segmentos industriais do continente, entre eles papel e celulose, produtos farmacêuticos, cerâmica, vidro, ferro e aço, materiais de construção, alimentos e bebidas e têxteis.
Segundo a revista PV Magazine, foram solicitados 1,4 mil milhões de euros por meio do mecanismo de candidatura a subsídios, cerca de 300% acima do orçamento disponível da Comissão. Empresas da Áustria, Bélgica, Portugal, República Checa, Eslovénia, Dinamarca, Hungria, França, Alemanha e Espanha tiveram suas propostas aceitas. Se todas as tecnologias forem implementadas com sucesso e alcançarem sua capacidade nominal, os resultados poderão ser expressivos. A expectativa é de uma economia de calor equivalente à queima de 1,5 bilhão de metros cúbicos de gás natural ao longo de cinco anos, além da redução de 6,6 milhões de toneladas de CO₂ em dez anos e da geração de 16,3 terawatts-hora de calor.
O tema ganha ainda mais relevância porque, pelo quarto verão consecutivo, uma intensa onda de calor atinge grande parte da Europa continental justamente no início da temporada de viagens de verão. Nesse contexto, também cresce a atenção para o chamado “calor residual”, termo utilizado no planejamento urbano e em infraestrutura para definir o calor irradiado pela indústria que se espalha pelo ambiente construído, elevando ainda mais temperaturas que já se aproximam de níveis recordes.
Algumas cidades já tratam esse calor residual como um recurso que precisa ser administrado de forma responsável. Em Hamburgo, na Alemanha, e em Varanto, na Finlândia, iniciativas buscam transformar esse excedente térmico em fonte de energia útil. Em julho passado, o canal GNN noticiou que a fundição de cobre Aurubis, em Hamburgo, responsável pela produção de 400.000 toneladas de cobre puro por ano, passou a canalizar o calor radiante para um sistema de aquecimento próximo, fornecendo água quente para cerca de 28.000 residências e edifícios e evitando a emissão de 120.000 toneladas de CO₂ por ano. Já em Varanto, um sistema de aquecimento por troca térmica que abrangerá toda a cidade utilizará o calor residual proveniente de centros de dados e de sistemas de aquecimento residenciais, como bombas de calor. A energia térmica será armazenada em água bombeada para uma enorme caverna subterrânea, onde permanecerá aquecida até o rigoroso inverno finlandês, quando retornará à superfície para contribuir com o aquecimento das residências.
Fonte: CicloVivo
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