
18/06/2026
A agenda climática corporativa vive um momento de inflexão. Durante anos, empresas comprometidas com metas de descarbonização foram orientadas, corretamente, a priorizar a redução direta de suas emissões operacionais e de cadeia de valor. No entanto, a complexidade das cadeias globais, a dificuldade de transformar determinados processos produtivos e a urgência de acelerar soluções climáticas de alto impacto têm ampliado o debate sobre como instrumentos de mercado podem complementar, com integridade, os esforços de redução.
Lançada em 11 de Junho, o novo movimento da Science Based Targets initiative (SBTi), especialmente a evolução do Corporate Net-Zero Standard V2, representa uma mudança relevante para o mercado climático. A leitura aponta que a SBTi passa a reconhecer de forma mais clara o papel dos certificados de atributos ambientais, dos modelos book-and-claim e de estruturas independentes capazes de comprovar, rastrear e qualificar benefícios climáticos. Em outras palavras, o mercado deixa de discutir apenas se instrumentos certificados podem ou não ter um papel na transição e passa a discutir quais instrumentos têm integridade suficiente para serem reconhecidos.
Essa mudança é especialmente importante para setores e soluções que geram impacto climático fora dos modelos tradicionais de energia renovável e remoção de carbono. A reciclagem é um desses casos.
A reciclagem reduz emissões porque substitui matérias-primas virgens por matérias-primas secundárias. Ao reciclar plástico, papel, metal, vidro ou outros materiais, evita-se parte das emissões associadas à extração, produção, transporte e processamento de insumos primários. Além disso, a reciclagem reduz a destinação de resíduos para aterros e lixões, diminui pressão sobre recursos naturais e gera renda para trabalhadores da cadeia de coleta, triagem e valorização de materiais.
Apesar desse impacto evidente, a reciclagem historicamente foi tratada mais como obrigação ambiental, responsabilidade pós-consumo ou política pública de resíduos do que como uma solução climática estruturada. O novo cenário regulatório e metodológico do mercado de carbono pode corrigir essa distorção.
Quando uma operação de reciclagem é rastreada, auditável e quantificada com metodologia reconhecida, deixa de ser apenas uma atividade ambiental positiva e passa a se transformar em um ativo climático verificável. Isso abre espaço para que empresas apoiem diretamente cadeias de reciclagem capazes de gerar reduções reais de emissões, com benefícios sociais e ambientais adicionais.
A principal mensagem do novo debate em torno da SBTi é que os instrumentos climáticos precisam ter credibilidade, transparência e infraestrutura robusta. A SBTi não pretende certificar individualmente cada instrumento, mas tende a reconhecer frameworks, padrões, programas e mecanismos de terceira parte que ofereçam qualidade e integridade.
Isso fortalece o papel de registros internacionais, metodologias reconhecidas, MRV digital, auditoria independente e avaliação externa da qualidade dos créditos. Para os compradores corporativos, significa que não bastará adquirir qualquer crédito ou certificado. Será necessário demonstrar que o instrumento utilizado possui lastro, adicionalidade, rastreabilidade, governança, mensuração adequada e contribuição efetiva para a transição climática.
Para os produtores de créditos de carbono, a mensagem é igualmente clara: projetos com baixa transparência, dados frágeis ou impacto pouco comprovável perderão espaço. Por outro lado, projetos com rastreabilidade de ponta a ponta, documentação técnica robusta, verificação independente e benefícios ambientais e sociais mensuráveis tendem a ganhar relevância e valor.
É exatamente nesse ponto que os créditos de carbono da reciclagem podem ser potencializados.
Conclua esta leitura clicando no CicloVivo
Câmara do Rio aprova plano de arborização específico para as favelas
17/09/2026
Caso de homem atacado por morcego-vampiro é descrito pela ciência; entenda o comportamento
17/09/2026
Pesquisa inédita no Brasil vai rastrear baleias-jubarte por satélite e mapear risco de atropelamentos por navios no litoral do ES
17/09/2026
Pescadores pedem tombamento de pedral em rio para vetar hidrovia no Pará
17/09/2026
VÍDEO: Manaus amanhece encoberta por fumaça pela 3ª vez em menos de 10 dias; qualidade do ar chega a nível péssimo
17/09/2026
Governo define regra para abolir licença ambiental em pesquisa de minerais
17/09/2026
