
18/06/2026
Ana Toni, CEO da COP30 (conferência da ONU sobre mudanças climáticas), diz que o esperado mapa do caminho —uma espécie de referência para ajudar países a abandonar combustíveis fósseis— sairá até a COP31, na Turquia, em novembro deste ano.
Ela também afirma à Folha que não vê pressão do lobby fóssil em conferências do clima e que sentiu, em encontro climático na Colômbia em abril, o reconhecimento pela liderança brasileira na discussão de caminhar para um mundo sem combustíveis fósseis.
Ana conversou com a Folha momentos antes do encerramento da primeira conferência Taff (sigla em inglês para "Transitioning away from fossil fuels"), um encontro em Santa Marta, na Colômbia, que surgiu, ao menos em parte, em meio a críticas e descontentamento com a situação atual das cúpulas climáticas da ONU.
Apesar de ser alvo de críticas, a COP30 em Belém deixou suas marcas, algumas das quais tiveram resultados na Taff, como a criação do SPGET (sigla em inglês para Painel Científico para a Transição Energética Global), um painel internacional de especialistas, liderado pela USP, e com foco em auxiliar países em questões da transição energética. O grupo, por sinal, foi uma ideia da própria Ana.
"Senti um reconhecimento imenso sobre quão positivo foi começar esse debate [da transição para longe dos combustíveis fósseis] na COP30", diz Ana Toni.
Além disso, ao fim da conferência da ONU sobre mudança climática, André Corrêa do Lago, presidente da COP30, comprometeu-se a, por um processo fora do arcabouço da ONU, formular um roteiro para o fim dos combustíveis fósseis, dado que a ideia para que isso aparecesse no texto final do encontro no Brasil foi bloqueada por países ligados ao petróleo.
"A gente está comprometido em entregar [o mapa] antes da COP31", disse Ana Toni, que, na ocasião, também afirmou que as primeiras sugestões sobre o mapa seriam apresentadas durante as reuniões climáticas em Bonn, que funcionam como uma espécie de pré-COP. Tal apresentação ocorreu na última sexta-feira (12).
Veja trechos da entrevista.
🎤 Houve alguma coisa que o Brasil quis levar para discussão na Taff e não conseguiu, por algum motivo?
Como estamos desenhando o nosso mapa, a ideia era muito ouvir onde está o debate, quais eram as ideias que estão sendo discutidas, para ver o que daqui sai que a gente queira trazer como insumo para o nosso "roadmap".
🎤 Imaginava-se que talvez a gente fosse trazer um pouco mais de coisas, até por já termos proposto o mapa já há alguns meses, não tão lá atrás, mas já há alguns meses.
A gente quem imaginava? A gente aqui não imaginava isso, ao contrário, a gente achou que seria um pouco o que foi. Não sendo um processo de negociação, com um debate mais fluido, sobre o que cada país está tentando fazer, seja na parte de "just transition" [transição justa], na de instrumentos econômicos, de subsídios. Como é que cada país que está vivenciando essa transição, tem lidado com esses temas.
Então acho que foi um grande aprendizado para todo mundo porque foram casos reais e também onde países falaram: "Eu tentei isso, não funcionou. Tentei aquilo, funcionou melhor assim do que assado". Uma conversa muito genuína. É ótimo, porque é isso que eu acho que vai dar segurança para os países tentarem coisas, fazerem coisas. Isso acho que vai ajudar muito a aceleração da transição [para longe dos combustíveis fósseis].
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