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Garimpeiros saqueiam a floresta amazônica em busca de terras raras

28/05/2026

A floresta amazônica vem sendo saqueada há décadas com o objetivo de extrair borracha, madeira e ouro. Agora, os garimpeiros ilegais estão de olho em um novo tesouro: minerais críticos, cobiçados por grande parte do mundo.
Segundo autoridades e especialistas, uma nova fronteira da criminalidade está surgindo na amazônia brasileira. A demanda global por esses minerais —usados em produtos como veículos elétricos e caças a jato— desencadeou uma onda de mineração ilegal em um dos ecossistemas mais importantes do planeta.
Isso se dá num momento em que, cada vez mais, os Estados Unidos e outros países voltam os olhos para o Brasil, que abriga alguns dos maiores depósitos mundiais de minerais essenciais. O intuito é enfraquecer o domínio da China sobre esses recursos estratégicos, necessários para alimentar muitas tecnologias do futuro.
Autoridades brasileiras afirmam que entre os minerais críticos extraídos de maneira ilegal na amazônia estão as terras raras, grupo de 17 elementos especialmente importantes, necessários para fabricar ímãs potentes usados em uma variedade ampla de produtos, desde drones até mísseis guiados.
Impulsionado pela transição energética, o mercado global de minerais essenciais está avaliado em mais de US$ 300 bilhões (R$ 1,5 trilhões) e deve mais do que dobrar até 2035, de acordo com a previsão da Agência Internacional de Energia.
"A demanda é muito forte —e só aumenta", disse Humberto Freire de Barros, diretor da Polícia Federal para a amazônia e o meio ambiente.
Ele se recusou a especificar os minerais de terras-raras que são alvo dos garimpeiros ou os grupos criminosos que estão envolvidos no esquema, alegando que há uma investigação policial em andamento. Mas informou que, depois de extraídos, são vendidos no mercado interno ou contrabandeados em navios para a Ásia e a Europa, onde são processados.
Segundo Barros, os minerais críticos são extraídos ilegalmente por grandes empresas de mineração. "O que estamos vendo não é mineração artesanal. São operações em escala quase industrial."
Embora as terras-raras sejam abundantes na crosta terrestre, é difícil extraí-las, separá-las e refiná-las. Os mineradores costumam retirar grandes quantidades de solo misturado com minerais e enviam a matéria-prima para a China, que domina o setor de refino, relatam os oficiais.
Já houve operações policiais envolvendo a extração ilegal de outros minerais essenciais, incluindo o manganês, que é usado em baterias de veículos elétricos.
As autoridades brasileiras declaram que, como em outros tipos de contrabando, a cadeia de suprimentos ilegal em torno dos minerais críticos é extensa, abrangendo setor privado, entes públicos e o crime organizado.
Além dos próprios garimpeiros, companhias e indivíduos servem de fachada legal ao "lavar" os minerais. Às vezes, servidores públicos emitem licenças de mineração sem avaliar os riscos ambientais. Gangues de narcotraficantes transportam minerais. Agentes da alfândega são subornados para fazer vista grossa às exportações ilícitas. Por fim, clientes no exterior compram o material ilegal.
Acredita-se que o Brasil tenha a segunda maior reserva mundial de terras raras, além de quantidades imensas de outros minerais essenciais, como nióbio, lítio e cobalto. O país quer se tornar líder global nessas matérias-primas, mas ainda está a anos de transformar suas reservas em grandes exportações.
Na amazônia, os minerais críticos são extraídos e transportados praticamente da mesma forma que outras mercadorias contrabandeadas. Depois de retirados de regiões no interior da floresta, são transportados por rotas terrestres, fluviais e aéreas que as gangues criminosas também usam para transportar ouro e cocaína.
Rômulo Brandão Neto, agente aduaneiro da Receita Federal, relatou que, quando os minerais chegam aos portos marítimos, muitas vezes são apresentados certificados falsificados, que alegam que o material foi extraído de minas legítimas.
Mas essas minas nem sempre são reais. Em um dos casos, quando Neto verificou imagens de satélite da área, descobriu que não havia nenhum local de extração ali. "É uma mina fantasma", observou.

A matéria na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo

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