
12/05/2026
Mais de uma centena de espécies passaram a integrar a lista brasileira de peixes e invertebrados aquáticos ameaçados de extinção. Entre elas estão as de animais endêmicos, como a arraia-xingu (Potamotrygon leopoldi), que só existe no rio que a batiza, e o coral-de-fogo (Millepora braziliensis), que habita o litoral do Nordeste, e também muito populares, como o tambaqui (Colossoma macropomum), comum na culinária amazônica.
A nova lista foi divulgada pelo MMA (Ministério do Meio Ambiente) no último dia 28, atualizando uma portaria de 2022 sobre o tema. Ao todo, são 490 peixes e invertebrados considerados sob risco, número semelhante aos 485 da edição anterior, já que também saíram da relação mais de uma centena de espécies aquáticas.
O monitoramento e classificação das espécies é realizado periodicamente, servindo como ferramenta para elaborar medidas de conservação.
"A lista é a principal ferramenta para construir políticas públicas para preservação da biodiversidade", afirma o diretor de Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade do MMA, Bráulio Dias, acrescentando que o documento reflete o avanço do conhecimento científico sobre o tema.
Ele diz que o Brasil tem uma das mais abrangentes listas de biodiversidade ameaçada no mundo, com cerca de 5.000 espécies, mais da metade delas sendo da fauna. Ao todo, mais de 15 mil espécies são avaliadas a cada ciclo de atualização.
"Essa lista representa uma aproximação muito mais real do que está acontecendo com as espécies", avalia Alberto Akama, ictiólogo (estudioso de peixes) e pesquisador do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ele atua na classificação do nível de conservação de espécies desde 2010.
"Muitas espécies foram retiradas da lista de espécies ameaçadas porque obtivemos melhores critérios [técnicos]", afirma. "Isso é bom, porque assim podemos direcionar mais recursos para aquelas que realmente precisam. A lista não é um fim em si mesma. [O objetivo] é melhorar o estado de conservação dessas espécies."
Os dados devem ser considerados, por exemplo, em estudos de impacto ambiental associados ao licenciamento de grandes obras. Se a área alvo de algum empreendimento for o habitat de espécies em risco de extinção, podem ser exigidas medidas de compensação ou adaptações do projeto.
As informações também são usadas para a definição de planos de manejo de recursos da flora e da fauna que tenham interesse comercial —aspecto que fica bastante evidente no caso dos peixes, que sofrem, principalmente, com a sobrepesca (captura maior do que a capacidade de recuperação da espécie).
O pargo (Lutjanus purpureus), peixe marinho muito exportado, por exemplo, teve piora no patamar de conservação: passou de "vulnerável" para "em perigo" de extinção. Por isso, o governo federal anunciou que vai revisar as políticas de manejo da espécie, com a adoção de mais restrições à pesca.
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