UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
Sistemas atmosféricos controlam chuvas e transporte de nutrientes da África até a Amazônia

12/05/2026

O que o avanço de massas de ar frio nos Estados Unidos tem a ver com adubos que seguem nos "rios voadores" vindos da África e ajudam a nutrir os solos da amazônia brasileira? Um artigo publicado no começo de março na revista Geophysical Research Letters revela uma interconexão atmosférica entre essas regiões distantes.
Os cientistas descobriram que sistemas sinóticos –fenômenos meteorológicos de grande escala abrangendo áreas de milhares de quilômetros–, como ondas de frio nos EUA e anomalias de alta pressão no Atlântico Sul, modificam as chuvas intensas ao longo da faixa tropical do oceano Atlântico.
Essas alterações regulam, durante as estações úmidas, se a amazônia receberá ar carregado de partículas vindas da África ou sem esses aerossóis. Os dias "limpos" (com menos partículas) foram precedidos de máximas de precipitação no oceano. Até então, não havia um claro entendimento da razão das flutuações e supunha-se que a influência vinha da mudança da direção dos ventos.
O "transporte" de poeira e aerossóis de fumaça com minerais entre a África e a América do Sul é um processo contínuo que afeta a atmosfera e os ciclos de nutrientes na amazônia. Apesar da vegetação densa e da biodiversidade da floresta, com grande quantidade de matéria orgânica, a maior parte do solo da região é pobre em nutrientes por causa, principalmente, da intensa lixiviação –processo de "lavagem" e remoção desses elementos das camadas superficiais pela ação da água da chuva ou irrigação.
Fósforo é o elemento mais limitado, seguido por cálcio, potássio e magnésio. No entanto, a escassez desses minerais é, em parte, compensada pelo transporte transatlântico de aerossóis vindos da queima de biomassa no continente africano e até mesmo de poeira mineral do deserto do Saara.
"O resultado demonstra que temos uma interconexão, uma simbiose da vida no planeta. Alterações climáticas afetam esse padrão e causam uma ruptura que ainda não sabemos aonde vai dar nem as consequências para os ecossistemas no futuro", explica o professor Luiz Augusto Toledo Machado, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP) e colaborador do Departamento de Química do Instituto Max Planck (Alemanha).
Autor correspondente da "research letter" (um formato de artigo científico mais conciso, focado e revisado por pares, destinado a comunicar descobertas originais de forma mais rápida), Machado destaca a relevância dessa "troca" de nutrientes, especialmente vindos do deserto do Saara.
"Ao contrário do que se possa imaginar, essa região é muito importante para a saúde do planeta. Sua poeira contém minerais cruciais não só para a fertilização da amazônia como para a manutenção da vida aquática. Entre eles estão o ferro e o fósforo, fundamentais para a produtividade da floresta e para a vida nos oceanos", explicou à Agência Fapesp.
Machado lembra uma pesquisa, publicada em 2022 na revista Nature e liderada por brasileiros, demonstrando que o crescimento da floresta amazônica pode ser limitado por baixos níveis de fósforo nos solos mesmo que a atmosfera seja rica em gás carbônico. Concentrações mais elevadas de CO2 fazem com que as plantas acelerem seu crescimento, sequestrando o carbono e mitigando impactos das mudanças climáticas.
Dois anos depois, mapas desenvolvidos com a ajuda de inteligência artificial confirmaram os baixos níveis de fósforo na região.

Termine de ler esta matéria clicando na Folha de S. Paulo

Novidades

Cães da raça chihuahua são parte coiotes, e talvez por isso sejam ´pequenos, mas bravos´

22/09/2026

Uma das menores raças de cães, o chihuahua, tem parte de coiote selvagem em sua composição genética,...

Os cientistas que salvam filhotes de araras de seus pais assassinos

22/09/2026

Parker ainda não havia aberto os olhos, quando uma mão o retirou do ninho. Era uma manhã de domingo...

Cientistas da Flórida procuram corais resistentes ao calor diante da mudança climática

22/09/2026

Na costa da Flórida, nos Estados Unidos, um grupo de mergulhadores desce até o fundo do mar para pla...

Refino de petróleo ganha técnica que reduz consumo de energia

22/09/2026

Uma nova tecnologia desenvolvida por cientistas chineses pode reduzir significativamente a quantidad...

Ciclo da água fica mais imprevisível, e El Niño deve agravar cenário, alerta ONU

22/09/2026

O ciclo da água está se tornando cada vez mais imprevisível e o fenômeno El Niño deve agravar a tend...

Cortar metano passa de atalho a obrigação com ´overshoot´, dizem especialistas

22/09/2026

Cortar as emissões de metano era considerado um atalho para combater os efeitos da mudança climática...