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Projeto do AP que transforma caroço de açaí em gás de cozinha recebe certificado de viabilidade

07/05/2026

Um projeto desenvolvido por pesquisadores da Universidade do Estado do Amapá (Ueap) está transformando resíduos orgânicos, como caroço de açaí, em biogás. A iniciativa funciona na área da Expofeira e acaba de receber o certificado de viabilidade técnica e econômica, o que abre caminho para ampliar o uso dessa tecnologia.
O sistema utiliza um biodigestor que processa resíduos como caroços de açaí, cascas de frutas e outros materiais. Esse processo de decomposição controlada gera biogás, que pode substituir o gás de cozinha ou ser convertido em energia elétrica.
Segundo o pesquisador Menyklen Penafort, o biogás precisa passar por purificação e se transforma em biometano, ou seja, pode substituir o botijão de gás GLP, conhecido como gás de cozinha.
"É o biometano que tem a energia de transformação de todo esse sistema num potencial para utilizarmos como substituto do botijão de gás de cozinha", disse.

Como o caroço de açaí vira energia?

► Coleta dos resíduos: são reunidos resíduos orgânicos da Amazônia, como caroço de açaí, casca de coco, casca de mandioca, castanha e até caroço de manga. Esses materiais seriam descartados, mas passam a ser usados como matéria-prima.

► Inserção no biodigestor: os resíduos são colocados em um biodigestor, equipamento que controla o processo de decomposição. Dentro dele, microrganismos quebram a matéria orgânica em ambiente sem oxigênio (processo chamado de digestão anaeróbica).

► Produção do biogás: durante a decomposição, é liberado um gás rico em metano, chamado biogás. Esse gás pode ser usado diretamente como combustível ou convertido em energia elétrica.

► Purificação: o biogás passa por um processo de limpeza para retirar impurezas. Após a purificação, ele se transforma em biometano, com qualidade suficiente para substituir o gás de cozinha (GLP).

► Aproveitamento energético: o biometano pode ser usado em fogões, geradores de energia ou até em veículos adaptados. Assim, resíduos que seriam descartados se tornam uma fonte renovável de energia.

A proposta é levar a tecnologia para municípios do interior, como Laranjal do Jari, Porto Grande, Mazagão e Oiapoque.
“Apesar de exigir investimento, o biogás pode ser aplicado em pequenas comunidades com apoio de políticas públicas. É como a energia solar há 30 anos: parecia distante, mas hoje é acessível”, explicou o pesquisador.
A estudante de engenharia de produção Tays Sousa destacou o papel da equipe jovem no projeto.
“Nosso trabalho é otimizar a produção de biogás e reduzir custos. O certificado de viabilidade facilita parcerias e ajuda a difundir a tecnologia pela Amazônia”, afirmou.

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