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Orcas são avistadas nos arredores de Ilhabela, litoral norte de SP; veja vídeo

05/05/2026

"Ver baleia é emocionante, mas ver orca é emoção ao quadrado", diz o fotógrafo e navegador Julio Cardoso, ainda evidentemente feliz com o encontro, mais de 24 horas depois de ter registrado um grupo de orcas em Ilhabela, no litoral norte de São Paulo.
Ao todo, seis indivíduos foram vistos na quinta-feira (30) em Sepituba, ao sul da ilha. Foi o terceiro avistamento registrado na região neste ano, algo que está se tornando mais frequente.
Os espécimes, que são da mesma família dos golfinhos, chegaram até ali em busca de alimento.
"Elas estavam comendo raias, vimos algumas com raias na boca", afirma Cardoso, um dos fundadores do ProBaleia, projeto de ciência cidadã recém-criado, com o objetivo de promover ações de educação ambiental e sistematizar os avistamentos de cetáceos na costa paulista.
"Orcas são incríveis, curiosas. Chegam perto do barco para conferir o que está acontecendo", diz ele.
Cardoso atua há mais de duas décadas na região e as fotos feitas por ele ajudaram a identificar diversas espécies que circulam no litoral norte, sejam as migratórias, como as jubarte, ou as de populações transientes, como as orcas, que se deslocam entre Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro, e Ilhabela em busca de comida.
Dos 6 indivíduos avistados dessa vez, ao menos 2 já eram conhecidos dos biólogos, fotógrafos e cinegrafistas. Uma delas é Hannah, uma matriarca que é avistada desde 2015 no litoral norte, foi fotografada saltando.
"Entre 55 e 60 orcas vivem por aqui. É um grupo que a gente conhece, chegamos a batizar algumas, como um macho mais velho, visto pela primeira vez há mais de 30 anos, que chamamos de Almirante. Ele é enorme", relata o cidadão-cientista, que acha impressionantes as estratégias de organização da espécie.
"Elas saem para o ataque nadando em quatro ou cinco, uma ao lado da outra, e vão em alta velocidade [em direção à presa]", diz. "Vê-las se movimentando para atacar é como assistir a um show."
Ilhabela é a região com maior diversidade de baleias e golfinhos da costa brasileira, com 15 espécies já identificadas, segundo José Truda Palazzo Júnior, diretor do Instituto Baleia Jubarte.
"Das baleias, temos principalmente a jubarte e a franca no inverno, as baleias-de-bryde em torno do verão. E as orcas ao longo de todo o ano", enumera, acrescentando que também há uma população residente de toninhas em torno da ilha, pequeno golfinho que corre grande risco de extinção. "E tudo isso foi descoberto graças à ciência cidadã".
O pesquisador afirma que as orcas provavelmente sempre habitaram essa região, mas têm sido vistas com maior frequência pelo aumento do turismo de observação de fauna. Outro fator pode ser a tecnologia, já que drones ampliaram muito a capacidade de monitoramento do oceano.
Palazzo Júnior ressalta que tamanha biodiversidade é, "sem dúvida nenhuma", um indicador da qualidade ambiental do mar da região, resultado de políticas públicas efetivas e da presença de uma unidade de conservação federal.
"A presença desses animais, e de várias outras espécies, como os tubarões-baleia e raias-manta, denota um ambiente ainda bastante preservado. E, principalmente para predadores, como é o caso das orcas, mostra a importância de se ter áreas como o Refúgio de Vida Silvestre de Alcatrazes: áreas de preservação integral, que mantêm uma quantidade de biomassa suficiente para sustentar esses predadores", explica.
Justamente por serem predadores do topo da cadeia alimentar, animais como as orcas são pressionadas pela pesca predatória. A sobrepesca diminui a quantidade de peixes e, consequentemente, de espécies que se alimentam deles e são presas das orcas, como raias e golfinhos. Além disso, os espécimes predadores correm o risco de ficarem presos em redes de pesca.
"Daí a importância de manter fiscalizadas áreas protegidas e restringir principalmente a pesca industrial na região", diz Palazzo Júnior.
A preservação da biodiversidade marinha, por sua vez, transforma-se em geração de emprego e renda —por meio do ecoturismo e até mesmo pela pesca artesanal, que se beneficia da recuperação dos estoques pesqueiros proporcionada pelas áreas protegidas.

Fonte: Folha de S. Paulo

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