
05/05/2026
Enquanto todos os olhos estavam voltados para os anfitriões colombianos, quem roubou a cena durante a conferência de Santa Marta para discutir o abandono dos combustíveis fósseis foram os franceses.
Na última terça-feira (28), o país apresentou um plano para eliminar progressivamente os combustíveis fósseis —o primeiro "mapa do caminho" nacional detalhado, segundo especialistas.
Embora não apresente novos compromissos, o plano reúne as políticas e objetivos climáticos já existentes sob um mesmo guarda-chuva. O carvão será eliminado progressivamente até 2030, o petróleo até 2045 e o gás até 2050.
Analistas apontaram que nenhum outro país havia publicado um plano tão exaustivo e que isso envia um sinal importante em um momento no qual governos estão reavaliando sua dependência dos combustíveis fósseis devido à guerra no Irã.
"É o primeiro desse tipo", disse à AFP Leo Roberts, do think tank E3G, focado na transição energética. O objetivo final do plano é alcançar a neutralidade de carbono na metade deste século —ou seja, em 24 anos.
"[O mapa do caminho] é bastante original, porque provavelmente somos um dos poucos países que tem um prazo claro para todas as energias fósseis", disse o enviado da França à conferência de Santa Marta, Benoit Faraco.
Apesar disso, a redução das emissões de gases do efeito estufa desacelerou na França pelo segundo ano consecutivo em 2025. Os índices do país seguem muito abaixo do necessário para o cumprimento de suas metas climáticas.
Faraco disse que a França decidiu seguir adiante por conta própria depois que uma proposta para um "mapa do caminho" global sobre os combustíveis fósseis foi bloqueada na cúpula climática COP30, realizada em Belém, em novembro do ano passado.
Em seu lugar, o Brasil, que presidia as negociações, aceitou lançar um processo voluntário para este fim e pediu aos países interessados que apresentassem suas propostas.
Contudo, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não cumpriu sua meta de apresentar o seu próprio plano nacional em fevereiro.
Fonte: Folha de S. Paulo
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