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Como suas roupas velhas podem ir parar neste deserto no Chile

28/04/2026

As roupas velhas encaminhadas para reciclagem, seja no Reino Unido, na América do Norte ou em outras partes do mundo, têm grande chance de acabarem sendo descartadas ilegalmente no deserto do Atacama, no Chile.
O país sul-americano é um dos maiores importadores de roupas usadas do mundo. Mas as peças que não são revendidas vêm sendo descartadas há anos em grandes pilhas, no deserto seco e estéril do norte chileno.
Agora, após uma mudança da legislação, uma empresa local está tomando ações para enfrentar o problema.
O Chile importa 123 mil toneladas de roupas usadas todos os anos, segundo estimativas do governo. A zona franca do porto de Iquique, no norte do país, é a principal porta de entrada deste tipo de produto.
Empresas locais e das cidades vizinhas podem importar, armazenar e vender mercadorias, com isenção das taxas alfandegárias e do Imposto sobre Valor Agregado (IVA).
Conhecida pela sigla Zofri, a zona franca foi criada em 1975, para promover o desenvolvimento sócio-econômico do norte chileno. E as roupas usadas passaram a ser um dos maiores produtos de importação.
Contêineres repletos de roupas continuam chegando a Iquique dos Estados Unidos, Canadá, Europa e Ásia. Elas são vendidas localmente ou exportadas para outros países latino-americanos.
O gerente-geral da Zofri, Felipe González, conta que existem cerca de 50 empresas de importação de roupas na região, que ajudam a impulsionar a economia local.
"É um setor que oferece a maior parte do trabalho às mulheres da região", explica ele. "Cerca de 10% delas trabalham com tecidos."
"As mulheres ajudam a classificar as roupas em diferentes categorias, segundo sua qualidade. Não é um trabalho altamente especializado, de forma que é acessível a pessoas sem muitas qualificações."
As roupas de pior qualidade acabam em La Quebradilla, um enorme mercado a céu aberto, perto da cidade de Alto Hospicio. Ela fica a cerca de meia hora de distância de Iquique, subindo a montanha, ainda dentro da zona franca.
Ali, é possível encontrar filas e mais filas de barracas, com pilhas de roupas em exibição sobre folhas de plástico.
As barracas vendem de tudo, desde camisetas até calças jeans e vestidos. Os preços são baixos, a partir de 500 pesos chilenos (US$ 0,54, cerca de R$ 2,70). Turistas e moradores locais invadem o local, especialmente no fim de semana, em busca de pechinchas.
As roupas criam empregos para a economia da região, mas a grande questão é o que acontece com as peças que não são vendidas.
Elas não podem ser lançadas no aterro sanitário local, que só pode ser usado para resíduos domésticos, não para importações comerciais.
Os comerciantes deveriam optar por uma dentre três alternativas: exportar as roupas, pagar os impostos para vendê-las no Chile, fora da zona franca, ou enviá-las para uma empresa autorizada de tratamento de resíduos.
Como todas estas opções custam dinheiro, comerciantes inescrupulosos, na verdade, queimam as roupas ou as descartam no deserto do Atacama, próximo dali.
As duas medidas são ilegais e as maiores estimativas indicam que cerca de 39 mil toneladas de roupas são descartadas desta maneira todos os anos.
O descarte das roupas é uma dor de cabeça para a prefeitura de Alto Hospicio.
Miguel Painenahuel trabalha no setor de planejamento da cidade. Ele afirma que é difícil monitorar e impedir o descarte.

A matéria na íntegra pode ser lida no g1

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