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Conferência na Colômbia discute menor uso de fósseis

28/04/2026

Representantes de cerca de 60 países e governos locais, povos indígenas, comunidades tradicionais, organizações sociais, cientistas e diplomatas se reunirão na cidade de Santa Marta, na Colômbia, a partir desta sexta-feira (24), para a 1ª Conferência Internacional sobre Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis.
O encontro tem como objetivo principal reunir subsídios que auxiliem na elaboração do Mapa do Caminho para uma transição energética, que diminua cada vez mais a dependência global de combustíveis fósseis.
Promovida pelos governos da Colômbia e da Holanda, a conferência funcionará como um espaço para aprofundar debates de forma horizontal e democrática.
“Não se destina a servir como um órgão de negociação, nem constitui parte de qualquer processo ou iniciativa formal de negociação, e não se destina a substituir a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas [UNFCCC, na sigla em inglês]”, informam os organizadores.
A programação prevê debates organizados em três eixos:
✔️​ Superação da dependência econômica,
✔️​ Transformação da oferta e da demanda, e
✔️​ Promoção da cooperação internacional e diplomacia climática.
Também está prevista a criação de uma coalizão de países dispostos a iniciar um processo concreto de transformação por meio da troca de experiências e iniciativas financeiras, fiscais e regulatórias implementadas nacionalmente.
Além de diálogos setoriais, a programação terá o lançamento de um Painel Científico para Transição Energética e uma assembleia de pessoas. A Cúpula de líderes ocorrerá nos dias 28 e 29 de abril, quando a Plenária Geral será encerrada.
O Mapa do Caminho é uma proposta brasileira lançada em novembro de 2025, durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém (PA).
Na capital paraense, sem consenso para que o tema entrasse para o documento final da COP30, 80 países apoiaram a ideia de construir uma estratégia global para longe dos combustíveis fósseis.
Com previsão de entrega em novembro, até a COP31, em Antália, na Turquia, o Mapa do Caminho está em pleno processo de construção. Atualmente, a presidência brasileira da COP analisa as contribuições recebidas em uma chamada pública internacional, encerrada em 10 de abril.
Passados cinco meses do lançamento da proposta, reafirmaram o interesse pelo debate países que juntos representam uma grande fatia do mercado de combustíveis fósseis, como Austrália, Canadá, México, Noruega e a União Europeia. Entre os países que não pretendem participar, estão Estados Unidos, China e Índia.
Com uma forte mobilização social favorável à proposta no Brasil, diversas organizações apresentaram contribuições. Desde povos indígenas, até redes que representam centenas de instituições.
Na avaliação do especialista em Conservação do WWF-Brasil, Ricardo Fujii, a delegação brasileira chega à Conferência de Santa Marta com a oportunidade de exercer um papel estratégico na construção de consensos e na transformação de iniciativas globais em ações efetivas.
“Em um momento de instabilidade internacional, a liderança brasileira pode ajudar a articular esforços formais e informais, fortalecendo a cooperação climática e entregando respostas concretas para a sociedade”, diz.
A iniciativa da Colômbia, um dos países que integram o território da Amazônia, também foi destacada pelas organizações sociais.
A coordenadora de Oceanos do Greenpeace Brasil, Mariana Andrade, considera simbólico que a primeira conferência internacional para discutir transição energética justa aconteça na região, em um momento em que as tentativas de exploração de petróleo na Foz do Amazonas representam um alerta.
“Explorar petróleo e gás na Amazônia terá significativas consequências socioambientais locais e globais, já que o bioma é essencial para manter o equilíbrio climático do mundo. Em Santa Marta, esperamos que os países reforcem a urgência de barrar a expansão da indústria fóssil na Amazônia antes que os danos sejam irreversíveis”, conclui.

Fonte: CicloVivo

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