
31/03/2026
Durante a programação da COP15, em Campo Grande, um dos debates realizados na “Conexão Sem Fronteiras”, na Casa do Homem Pantaneiro, no Parque das Nações Indígenas, colocou em destaque um tema ainda pouco conhecido: os créditos de biodiversidade e sua diferença em relação aos créditos de carbono.
O encontro reuniu especialistas e representantes de projetos ambientais para explicar, de forma prática, como esses mecanismos funcionam e como podem ajudar na conservação do meio ambiente, especialmente no Pantanal.
De forma geral, os créditos de carbono já são mais conhecidos e funcionam como uma forma de compensação. Ou seja, empresas ou pessoas que emitem gases poluentes podem “compensar” esse impacto comprando créditos equivalentes à redução ou captura dessas emissões em outro lugar.
Já os créditos de biodiversidade têm uma lógica diferente. Eles não servem para compensar danos, mas sim para financiar diretamente a conservação da natureza.
Segundo a coordenadora de projetos Lorena Lourenço, esse modelo surge em meio a uma crise ambiental global. Hoje, cerca de 75% da superfície terrestre já foi alterada pela ação humana, e a população de animais vertebrados caiu, em média, 68% desde 1970. Além disso, aproximadamente 1 milhão de espécies estão ameaçadas de extinção.
Diante desse cenário, mais de 190 países firmaram um acordo internacional para tentar frear a perda de biodiversidade até 2030. Uma das estratégias é justamente envolver o setor privado no financiamento de ações ambientais.
Diferente do carbono, a biodiversidade não pode ser “substituída”. Por isso, os créditos são gerados a partir de ações reais de conservação em áreas específicas.
No projeto apresentado durante o evento, cada crédito corresponde à conservação de um hectare de habitat por um ano. O valor médio é de cerca de 27 dólares por crédito.
Um dos diferenciais é que esses créditos não entram em mercado especulativo: assim que são comprados, são “aposentados”, garantindo que o investimento vá direto para a conservação.
Atualmente, esse tipo de mercado ainda está em desenvolvimento, mas já movimenta mais de 6 milhões de dólares no mundo e envolve cerca de 6 milhões de hectares em áreas protegidas.
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