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´Extinção silenciosa´ de presas pode levar onça-pintada a desaparecer da Mata Atlântica, aponta estudo

24/03/2026

Uma pesquisa conduzida por pesquisadores brasileiros apontou a relação entre a baixa disponbilidade de alimento e o baixo número de onças-pintadas existentes na Mata Atlântica - e os pesquisadores alertam que a onça pode desaparecer do bioma se a redução das espécies que servem de alimento continuar avançando.
O levantamento revela um cenário de baixa abundância e baixa biomassa, ou seja, quantidade e peso reduzidos das presas que a onça prefere. Em várias áreas estudadas, a média ficou abaixo de cinco indivíduos por espécie, por ponto monitorado. Isso significa que, em cada área analisada, havia números baixos de animais para sustentar um predador grande ao longo do tempo.
O estudo, coordenado pela professora da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP) de Piracicaba (SP), Kátia Maria Paschoaletto Micchi de Barros Ferraz, foi publicado na revista Global Ecology and Conservation. Para a pesquisadora, o desaparecimento lento e contínuo dos animais que compõem a base alimentar do felino configura uma “extinção silenciosa das presas”.
"Se nada for feito, nós seremos o primeiro bioma do mundo a ter um predador de topo de cadeia, que no caso é a onça-pintada, extinto. Perdê-la seria uma tragédia ambiental de proporções sem tamanho", afirmou.

🐆 A possibilidade de extinção da onça-pintada na Mata Atlântica já havia sido apontada em 2013, quando pesquisadores identificaram o declínio da população da espécie no bioma.

Antes do trabalho de campo, os pesquisadores fizeram uma revisão de estudos publicados entre 1983 e 2025 sobre a dieta da onça. Eles analisaram 719 amostras e identificaram 36 itens alimentares. A partir daí, selecionaram 14 espécies de mamíferos que formam a base alimentar do felino na Mata Atlântica, como catetos, queixadas, cervídeos, antas e pacas.
Depois, os pesquisadores instalaram câmeras automáticas em 496 pontos, com duas armadilhas em cada, distribuídos em grade com 1 km de distância entre si. As câmeras ficaram ligadas 24 horas por dia por cerca de 30 dias em cada área.
A partir desses registros, os pesquisadores utilizaram modelos matemáticos para calcular a média de animais em cada área e o peso total de biomassa que representam para a alimentação das onças.O método considerou fatores como a frequência das detecções e as características do ambiente em cada ponto.
O levantamento mostrou que, em quase todas as áreas analisadas, existem poucos animais das 14 espécies de mamíferos que compõem a base alimentar da onça-pintada. Em várias regiões, a média ficou abaixo de cinco animais por espécie.

👉 A “média de indivíduos” representa a quantidade aproximada de animais de uma espécie por ponto monitorado. Se a média é de 4 indivíduos, por exemplo, isso quer dizer que, a cada área amostrada, foi estimada a existência de 4 catetos, 4 cervídeos ou 4 pacas — números muito baixos para alimentar um predador grande como a onça.

Saiba mais no g1

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