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Santuário de elefantes questiona padrão de cativeiros em zoológicos do Brasil

24/03/2026

Scott Blais, 53, começou a trabalhar em um safári no Canadá aos 13 anos e diz ter encontrado uma realidade sombria de maus-tratos aos animais logo no início da carreira. Desde 2016, o americano é a mente por trás do SEB (Santuário de Elefantes Brasil), em Mato Grosso, que movimenta a discussão sobre cativeiros.
"Precisamos reanalisar o modelo dos zoológicos que tem sido apoiado por centenas de anos. Sim, há um fator de educação e conservação, mas a que custo?", afirma o fundador do SEB, na Chapada dos Guimarães. "Não estamos aqui para tentar destruir qualquer coisa, e sim para dar uma alternativa."
Primeiro estabelecimento do tipo na América do Sul, o santuário enfrentou o escrutínio das autoridades em 2025, com as mortes das elefantas-africanas Kenya e Pupy. A Folha esteve na instituição no fim de fevereiro.
Bambi, Guillermina, Mara, Maia e Rana, as cinco fêmeas da espécie asiática que moram no lugar, tiveram passagem por circos ou zoológicos. Segundo Blais, o passado em confinamento causou problemas nas patas e outras condições de saúde que permanecem até hoje.
O fundador diz que a instituição não é capaz de resolver os danos causados por anos de negligência, mas que promove um aumento significativo no bem-estar. "Temos que dar a elas a melhor vida que pudermos pelo maior tempo que pudermos. A sociedade comprometeu tremendamente a vida delas."
Marina Schweizer, 34, coordenadora do setor de pesquisas do SEB, afirma que muitos zoológicos no Brasil têm receio da categoria e não entendem como o santuário funciona.
"Os elefantes evoluíram para forragear [procurar alimento], cooperar, ter relações com outras espécies, receber chuva. Quando um zoo ou em outra instituição busca proteger o animal de todas as adversidades, acaba gerando uma vida sem estímulo", diz a bióloga. "Aqui, a percepção é diferente: existe uma filosofia de respeito aos animais, seguindo a biologia deles."
No SEB, as cinco fêmeas têm 279,7 mil metros quadrados à disposição, cerca de 55,9 mil m2 por indivíduo. Uma norma de 2015 do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) determina área mínima de 1.500 m2 para dois animais, e os estados podem estabelecer regras diferentes.
Blais diz que a maioria dos cativeiros de elefantes oferece uma área equivalente, em termos humanos, ao tamanho de um quarto e um banheiro. "Isso não é diferente de colocar uma pessoa em confinamento", compara.
O Ibama afirma que "a exigência de 1.500 m2 é o mínimo legal, mas instalações maiores são recomendadas e frequentemente exigidas em projetos mais recentes ou licenciamentos estaduais".
A Azab (Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil) diz que grande parte das instituições brasileiras segue o padrão exigido pelo órgão federal e argumenta que o bem-estar dos animais vai além da área disponível.
"Não conseguimos avaliar que todos os elefantes que vivem em zoológicos estariam melhor no santuário ou que todos estariam bem nos zoológicos. Isso tem que ser analisado com calma, conforme a história e a condição de vida de cada um", afirma Claudia Igayara, membro da diretoria da associação.
Na visão da Azab, a exposição dos animais ajuda a educar a população. "Quando uma pessoa vai ao zoológico e vê o elefante, muda alguma coisa, e ela passa a olhar a fauna, o ambiente e o planeta de uma forma diferente", opina Igayara.
O fundador do SEB se opõe à ideia de que a sociedade se beneficia com a exibição pública dos elefantes. "Será que temos a justificativa de comprometer a vida de um indivíduo em nome da educação de uma criança? O que estamos aprendendo com esses indivíduos em cativeiro?", questiona.

A matéria completa pode ser lida na Folha de S. Paulo

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