
17/03/2026
A guerra no Irã está interrompendo o fornecimento de petróleo e gás e elevando os preços de energia ao redor do mundo. E, para muitos ambientalistas, esse é um argumento poderoso para que os países reduzam o uso de combustíveis fósseis e migrem para energia eólica, solar e outras fontes renováveis.
Mas à medida que o caos força as nações a repensarem suas políticas energéticas, os resultados podem ser confusos —e as opções mais limpas nem sempre serão as vencedoras.
Alguns países na Europa e na Ásia podem tentar instalar mais turbinas eólicas, painéis solares e baterias para se protegerem contra aumentos no preço do gás natural, como muitos fizeram após a Rússia invadir a Ucrânia em 2022. Se os preços do petróleo permanecerem elevados, os carros elétricos podem se tornar uma opção mais econômica para motoristas do Brasil aos Estados Unidos.
"Essa mais nova turbulência mostra mais uma vez que a dependência de combustíveis fósseis deixa economias, empresas, mercados e pessoas à mercê de cada novo conflito", disse Simon Stiell, chefe de clima das Nações Unidas. Investir em energia renovável, disse ele, é "o caminho óbvio para a segurança energética".
No entanto, outros países podem responder à escassez de oferta queimando mais carvão —um combustível fóssil altamente poluente, mas barato e facilmente disponível— ou adotando o gás natural americano. E se o conflito no Irã causar aumento nas taxas de juros, isso pode tornar os novos sistemas de energia renovável mais caros, disseram analistas.
O governo Trump, por sua vez, tem incentivado as nações a usarem mais petróleo e gás e está promovendo os Estados Unidos como um fornecedor estável de combustíveis fósseis em uma era geopolítica perigosa.
"É como um teste de Rorschach", disse David Victor, professor de políticas públicas na Universidade da Califórnia, em San Diego. "A guerra lembrou a todos da poderosa importância da segurança energética. E com esse lembrete, você tem respostas radicalmente diferentes."
A guerra também ressalta uma mudança notável no cenário energético global. Durante anos, muitos líderes mundiais declararam o combate ao aquecimento global como prioridade máxima e pediram uma transição para fontes de energia mais limpas que não aquecessem o planeta.
Mas, recentemente, os crescentes riscos geopolíticos e comerciais levaram os países a buscar fontes domésticas de qualquer tipo de energia. Isso pode incluir energia solar ou nuclear, mas também carvão ou gás.
Os combates no Oriente Médio já expuseram vulnerabilidades nos mercados globais de energia. Cerca de 20% do petróleo mundial e grande parte do gás natural normalmente viajam de navio pelo Estreito de Ormuz, uma passagem estreita na costa sul do Irã.
Desde que a guerra começou, o Irã tem atacado navios-tanque no estreito, e o tráfego diminuiu drasticamente, cortando suprimentos críticos de energia. Os preços internacionais do petróleo subiram até um terço antes de cair um pouco nos últimos dias.
As ondas de choque foram profundas.
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