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Tartaruga marcada por pesquisadores em 1988 reaparece em praia do Espírito Santo; veja vídeo

05/03/2026

Uma tartaruga-cabeçuda que havia sido marcada pelo Projeto Tamar no final da década de 1980 foi novamente vista pelos pesquisadores na praia de Povoação, em Linhares, no Espírito Santo, durante a temporada de desova atual, que começou em setembro de 2025 e se encerra neste mês.
O flagra foi feito em 2 de dezembro de 2025 e surpreendeu quem atua no dia a dia do trabalho de marcação das fêmeas que chegam às areias para abrir ninhos e colocar seus ovos.
"A gente já tinha tido casos anteriores de 20 e poucos anos, até de 30 anos. Mas 37 é muito tempo. Não sei quanto é o maior tempo de marcação de fêmea no mundo, mas não é algo muito além disso, porque é difícil você ter programas longevos como o Tamar", diz o biólogo Alex Santos, coordenador de Pesquisa e Conservação da Fundação Projeto Tamar no Espírito Santo.
O início do Projeto Tamar também remonta à década 1980 e a tartaruga novamente vista pelos pesquisadores foi uma das primeiras que receberam a marcação —um número que fica em duas pequenas ligas de aço pregadas nas nadadeiras dianteiras.
A tartaruga reencontrada agora só tinha uma marca original, perdeu a outra. Mas o número é suficiente para que a "ficha" dela seja acessada. Na desova de 1988, ela já era um animal grande, adulto, mas a idade exata é desconhecida.
"Possivelmente não era a primeira desova dela. Então a gente diz que ela já tinha no mínimo 25 anos [início da maturidade], mas podia já ter 30, 40, quando a gente a encontrou pela primeira vez. E 25 com mais 37 anos dá lá seus 62. Pelo menos", explica Santos. "Acredita-se que as cabeçudas vivam algo em torno de 80 anos", completa.
As maiores cabeçudas chegam até 1,2 m, aproximadamente, e pesam em torno de 200 a 250 kg.
Ao longo dos 37 anos —de 1988 até 2025—, os pesquisadores a encontraram novamente sete vezes no total.
Santos afirma que a desova da cabeçuda marcada há 37 anos possivelmente está sendo feita junto com suas "netas". "Como elas entram na maturidade em torno de 20, 25 anos, a gente já está vendo uma sobreposição de gerações", destaca o pesquisador.
O ciclo de reprodução das fêmeas geralmente ocorre a cada dois anos. Em média, cada tartaruga faz cinco ninhos por temporada e cada ninho tem em torno de 120 ovos.
Da década de 1980 para cá, houve o acréscimo de algumas tecnologias pelo Projeto Tamar, como o microchip colocado em algumas tartarugas-de-couro, com a possibilidade de monitoramento via satélite, mas o especialista explica que a marca metálica continua sendo um método obrigatório.
"Se ela perder esse transmissor, o que vale é a marcação. Quando ela encalhar na praia, o que as pessoas vão ver, o que os pescadores vão ver e sinalizar é essa marquinha de aço, que é visível para todo mundo. No caso do microchip, você precisa de um leitor especializado", explica ele.
"Teve uma tartaruga-de-couro marcada aqui no Espírito Santo que encalhou na Namíbia [na África] e ela foi identificada por essa marquinha de aço, por exemplo. Então ela acaba sendo a mais efetiva ainda para esse dia a dia", lembra.
No mundo todo há 7 espécies de tartarugas-marinhas, e 5 delas frequentam a costa brasileira: além da tartaruga-cabeçuda, a tartaruga-de-couro, a tartaruga-de-pente, a tartaruga-oliva e a tartaruga-verde.
A tartaruga que mais se distribui na costa brasileira é justamente a cabeçuda, que ocorre no Rio de Janeiro, no Espírito Santo, na Bahia e em Sergipe. O nome científico dela é Caretta caretta, uma referência ao tamanho da sua cabeça, maior na comparação com as de outras espécies.
Segundo Santos, a cabeçuda é considerada hoje uma espécie vulnerável, mas é a tartaruga-de-couro, a mais rara de todas, que está criticamente em perigo.
O pesquisador afirma que, no Espírito Santo, os animais da espécie cabeçuda fazem em torno de 3.000 a 3.500 ninhos por temporada, enquanto as tartarugas-de-couro apenas 100 ninhos, aproximadamente, na mesma região.

Fonte: Folha de S. Paulo

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