
05/02/2026
"Eles conseguem vasculhar uma área do tamanho de uma quadra de tênis em cerca de 20 minutos, enquanto humanos com detectores de metal levariam até quatro dias", diz Cynthia Fast, que treina esses animais extraordinários na ONG Apopo.
A Apopo se dedica à detecção e remoção de minas terrestres e outros resquícios explosivos de guerra, utilizando métodos inovadores, como o treinamento de ratos-gigantes-africanos (Cricetomys gambianus).
Todos os anos, minas terrestres matam ou mutilam milhares de pessoas no mundo todo.
"Trabalhamos com o rato-gigante-africano (ou rato-de-bolsa-da-Gâmbia), que tem aproximadamente o tamanho de um gato pequeno. Esses animais recebem esse nome por causa de suas grandes bolsas nas bochechas, semelhantes às de um esquilo ou hamster, onde gostam de armazenar comida."
Eles são chamados de "HeroRATs" (algo como "RatosHeróis" em tradução livre) e fazem um trabalho à altura do nome: removem minas terrestres em algumas das regiões mais problemáticas do mundo —em outras palavras, salvam vidas.
"Atualmente, eles estão atuando em Angola, Azerbaijão e Camboja, e anteriormente tínhamos ratos trabalhando em Moçambique. Até agora, eles limparam 120 milhões de metros quadrados de antigos campos minados."
Essa é uma área maior que a cidade de Paris ou cerca de 17 mil campos de futebol.
Essas criaturas são perfeitas para o trabalho: longevas, inteligentes, altamente treináveis, grandes o suficiente para cobrir vastas áreas, mas pequenas o suficiente para caminhar sobre uma mina sensível à pressão sem acioná-la.
A Apopo nunca perdeu um rato em um campo minado.
Além disso, eles são muito mais eficientes do que detectores de metal, porque se houver muita sucata metálica na área, eles a ignoram.
Quando os ratos sentem o cheiro dos vapores de substâncias explosivas como TNT, eles arranham a superfície do solo. Esse é o sinal para os tratadores marcarem o local, e, assim, um humano com ferramentas e tecnologia pode retornar mais tarde e remover as minas com segurança.
Fast afirma que seus ratos nunca deixaram de encontrar uma mina em mais de 25 anos. Mas, apesar desse histórico impressionante, uma equipe de ratos não inspira imediatamente confiança nas comunidades com as quais trabalha, mesmo que usem coletes com identificação.
"No início, havia muito mais ceticismo, e quando tentamos realizar cerimônias de devolução de terras às comunidades, elas se recusaram até mesmo a pisar nelas porque não confiavam nos ratos", diz Fast.
"Uma das coisas que implementamos foi organizar uma partida de futebol no terreno que antes estava minado, e quando viram que confiávamos o suficiente em nossos ratos para jogar lá, as pessoas também começaram a jogar", continua ele.
"Agora, em comunidades como o Camboja, as pessoas vêm até mim e dizem: ´Quando vocês vão trazer um rato aqui perto do meu arrozal? Porque tenho medo de que possa haver minas aqui´."
Os HeroRATs não servem apenas para desarmar minas terrestres. A equipe também está experimentando seu uso em missões de busca e resgate, encontrando e ajudando pessoas soterradas sob escombros após desastres naturais.
E, em uma era de automação e robótica, não apenas essas criaturas, mas também outras, como furões e cães, continuam indispensáveis para fazer o que nós não conseguimos.
Em um campo no norte de Derbyshire, na Inglaterra, uma profissional altamente qualificada chamada Emily se prepara para o trabalho.
"Se você a vir tremendo, não é porque ela está com frio ou com medo. É porque seu corpo está se preparando, aquecendo os músculos", diz o treinador James McKay. Emily é uma furão de cor dourada clara, de aparência alongada, ágil e flexível.
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