
13/01/2026
Após iniciar 2026 com o pé esquerdo, com um vazamento durante a perfuração da Petrobras na Foz do Amazonas, o governo Lula (PT) tem uma boa notícia na área ambiental: o desmatamento caiu nos dois maiores biomas do país no ano passado.
Em 2025, a área sob alerta de desmatamento na amazônia foi de 3.817 km², redução de 8,7% na comparação com 2024. No cerrado, o índice foi de 5.369 km², queda de 9% em relação ao ano anterior.
O índice na amazônia em 2025 foi o menor em oito anos, enquanto no cerrado foi a taxa mais baixa desde 2021.
Os dados são do sistema Deter, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), e foram divulgados nesta sexta-feira (9).
O Deter mapeia e emite alertas de desmate com o objetivo de orientar ações do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e outros órgãos de fiscalização. Os resultados representam um alerta precoce, mas não são o dado fechado do desmatamento.
Este foi o segundo ano consecutivo em que houve queda no desmate em ambas as regiões. Ainda assim, o estrago foi grande: somando os dois biomas, o total de vegetação perdida no ano passado foi de 9.186 km² —o equivalente a seis vezes a área da cidade de São Paulo.
O ritmo de queda nas áreas sob alerta de desmate na floresta amazônica vem desacelerando. Partindo de patamares altíssimos —de mais de 10 mil km² em 2022— deixados pela gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 2023 o índice caiu pela metade. Já em 2024, a redução foi de 19%.
Procurado, o MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima) afirma, em nota, que a desaceleração observada em parte de 2024 está associada à seca extrema, que elevou os índices de degradação florestal, especialmente em razão dos incêndios florestais. "Ainda assim, a tendência de queda do desmatamento foi mantida", diz a pasta.
"A partir de agosto de 2025, início de um novo ciclo de monitoramento, os alertas do Deter ficaram abaixo dos registrados no mesmo período do ano anterior, indicando a continuidade da redução. Esse resultado reflete a ampliação contínua, pelo governo do Brasil, das ações de prevenção e combate ao desmatamento e aos incêndios florestais, com atuação interministerial e de órgãos federais".
Mato Grosso respondeu por quase metade da área desmatada na amazônia, 1.497 km². Terceiro maior índice da série histórica, iniciada em 2015, o valor representa um aumento de quase 60% em relação a 2024.
Pará (979 km²) e Amazonas (721 km²) também se destacam na região. Apesar do patamar alto, porém, ambos tiveram melhoras nos números, com redução de 36% e 9% do desmatamento, respectivamente.
"Desde o início da gestão da ministra Marina Silva, vemos o governo federal focando fortemente em ações de fiscalização, que se reflete na queda do desmatamento. Mas sabemos, por experiências anteriores, que chega uma hora que a gente não consegue diminuir mais o desmatamento [apenas com essa estratégia]", avalia Erika Berenguer, cientista sênior na Universidade de Oxford.
"Como fazer a chave virar? O que está faltando? E eu acho que a gente ainda não tem, enquanto sociedade, portanto, enquanto governo federal, uma resposta para isso", diz ela.
Na nota, o MMA também destaca um conjunto de ações adotadas pelo governo federal para alcançar a meta de zerar o desmatamento até 2030.
Entre elas, estão a retomada e aceleração dos investimentos do Fundo Amazônia, com R$ 3,6 bilhões aplicados nos últimos três anos; o aumento da verba para fiscalização ambiental na amazônia; e a implementação do programa União com Municípios, que prevê R$ 785 milhões em investimentos para o desenvolvimento sustentável de 81 municípios amazônicos.
No cerrado, Maranhão (1.190 km²), Tocantins (1.133 km²) e Piauí (1.005 km²) lideram o ranking do desmate, com um cenário parecido entre si. Em seguida vem a Bahia, com 703 km² de vegetação perdida.
Os quatro estados compõem a região chamada de Matopiba, que abriga, simultaneamente, uma fronteira do agronegócio e a porção mais preservada do bioma.
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