
13/01/2026
O argumento de que “é impossível crescer economicamente e cortar as emissões de carbono” é muito comum quando o assunto é combater a emergência climática de forma efetiva. Mas, dados recentes mostram justamente o contrário. Um relatório do ECIU (Energy and Climate Intelligence Unit) mostra que, mais do que nunca, países estão desenvolvendo suas economias ao mesmo tempo que reduzem suas pegadas de carbono – em um movimento constante.
Com base no 2025 Global Carbon Budget e em um sistema refinado de tratamento de dados, o relatório avaliou 113 países, cobrindo mais de 97% do PIB e 93% das emissões de carbono mundiais. Com estas informações, os pesquisadores concluíram que a redução da pegada de carbono está se tornando “norma e não exceção”.
“Muitas vezes foi dito que era impossível reduzir emissões sem reduzir o crescimento econômico. Mas o que está acontecendo é exatamente o oposto”, conta John Lang, um dos autores do relatório Net Zero Tracker Lead no ECIU.
“Decoupling ou desacoplamento, em português, é um termo que se refere à separação estratégica de atividades de valor que antes eram oferecidas juntas”. Quando estamos falando de combate à emergência climática, o termo é usado para falar da separação entre crescimento econômico e emissões de gases de efeito estufa. Podemos dizer que a expressão é usada para quebrar a ligação histórica entre as duas ações.
No relatório, existem dois tipos de desacoplamento:
* Absoluto: emissões caem enquanto o PIB cresce. O melhor cenário.
* Relativo: As emissões seguem crescendo, mas em um ritmo menor que o PIB.
Os pesquisadores explicam que também foram identificados países com o pior cenário: com crescimento econômico e emissões crescendo juntos ou com a queda do PIB e aumento das emissões. Nesse caso o termo usado foi reacoplamento ou recoupling. Mas, de acordo com os cientistas, estes casos estão se tornando mais raros.
Mesmo nas avaliações do IPCC o desacoplamento em escala global é historicamente visto como uma ideia controversa, mas que pode ser reavaliada com essa nova análise – “não só é possível, como está acontecendo, em uma realidade de crescimento”.
De acordo com o relatório, entre 2015 e 2023, cerca de metade da economia mundial (46%) esteve no quadro de desacoplamento absoluto. Um salto de 38% em comparação com a década anterior ao Acordo de Paris.
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