
13/01/2026
O derretimento acelerado está transformando um dos maiores e mais longevos icebergs já observados pela ciência em um bloco azulado repleto de água de degelo. Imagens divulgadas nesta semana pela NASA indicam que o iceberg A-23A, que se desprendeu da Antártida em 1986, pode se desintegrar completamente nos próximos dias ou semanas.
Segundo cientistas que acompanham o fenômeno por satélite, o acúmulo de água na superfície está forçando rachaduras internas e acelerando a fragmentação do iceberg, que hoje tem menos de um terço da área original.
O A-23A se soltou da Plataforma de Gelo Filchner, na Antártida, há quase quatro décadas. Quando surgiu, tinha cerca de 4.000 km², uma área maior que o dobro da cidade de São Paulo. Dados recentes do Centro Nacional de Gelo dos Estados Unidos indicam que, no início de janeiro de 2026, sua área havia encolhido para 1.182 km², após sucessivas quebras ao longo de 2025.
Mesmo reduzido, o iceberg ainda figura entre os maiores do oceano. As imagens captadas em 26 de dezembro de 2025 pelo satélite Terra, da Nasa, revelam extensas piscinas de água azul sobre sua superfície — um sinal clássico de fragilidade estrutural.
A coloração azulada não é tinta nem sedimento. Ela vem da água de degelo acumulada em depressões naturais do gelo. Segundo o cientista Ted Scambos, da Universidade do Colorado Boulder, o peso dessa água pressiona as fissuras internas, forçando sua abertura e favorecendo o colapso do iceberg.
Além disso, um fenômeno conhecido como “rampa-fosso” se formou ao redor do A-23A: as bordas do iceberg se curvam levemente para cima à medida que derretem na linha d’água, criando uma espécie de barreira que retém ainda mais água sobre o gelo.
Os padrões lineares azuis e brancos visíveis nas imagens também chamaram a atenção dos pesquisadores. De acordo com especialistas do Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo dos EUA, essas faixas são estrias formadas há centenas de anos, quando o gelo ainda fazia parte de uma geleira que raspava o leito rochoso da Antártida.
Essas marcas criaram sulcos e pequenas elevações que hoje funcionam como “canais”, direcionando o fluxo da água de degelo sobre o iceberg e concentrando o processo de desgaste.
As imagens de satélite também sugerem que o iceberg já começou a vazar água doce para o mar. Uma área esbranquiçada ao lado do A-23A pode indicar um “blowout” — quando a pressão da água acumulada rompe a lateral do gelo, liberando uma descarga que despenca dezenas de metros até o oceano.
Esse tipo de vazamento é considerado um sinal de que o iceberg entrou em sua fase final.
Conclua esta leitura acessando o g1
Mercado condominial brasileiro tem seu 1º relatório de sustentabilidade
24/09/2026
Entre os lugares mais áridos da Terra, Deserto do Atacama floresce após chuvas intensas provocadas pelo El Niño
24/09/2026
China amplia vantagem com energia limpa
24/09/2026
Pesquisadores usam fezes humanas para criar concreto mais resistente
24/09/2026
Super El Niño pode matar mais de 450 mil pessoas ao redor do mundo, dizem cientistas, e o Brasil será quinto país mais atingido
24/09/2026
Telhados verdes conectam família em casa na Indonésia
24/09/2026
