UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
Biodiesel de babaçu polui menos que o de soja

11/12/2025

O biodiesel produzido a partir de babaçu, uma espécie de palmeira comum no Norte e Nordeste do Brasil, emite menos poluentes que o de soja e apresenta desempenho comparável em motores geradores. O achado é resultado de um estudo de pesquisadores da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que compararam pela primeira vez de forma abrangente os dois combustíveis em condições reais de operação. O trabalho, assinado por Benhurt Gongora, Reinaldo Bariccatti, Samuel de Souza, Doglas Bassegio e Rodrigo Sequine, será publicado na revista Engenharia Agrícola.
A pesquisa testou o babaçu como alternativa à soja, que atualmente domina 70% da produção nacional de biodiesel. Os pesquisadores realizaram testes comparativos usando um motor gerador a diesel comum, do tipo utilizado para produzir eletricidade em pequenas propriedades rurais, sem fazer qualquer modificação no equipamento. Primeiro, a equipe produziu biodiesel puro de babaçu por meio de uma reação química com álcool e soda cáustica. Em seguida, misturou esse biodiesel com diesel comum em diferentes proporções. O mesmo procedimento foi aplicado ao biodiesel de soja.
Durante os testes, o gerador foi conectado a resistores e submetido a diferentes níveis de carga, variando de leve (500 W) a pesado (2.500 W), simulando condições reais de uso. Enquanto o motor funcionava com cada tipo de combustível, a equipe mediu duas variáveis essenciais: o consumo de combustível para gerar a mesma quantidade de energia (eficiência energética) e a emissão de poluentes, especialmente óxidos de nitrogênio (NOx) e monóxido de carbono (CO).
Os resultados têm implicações diretas para comunidades tradicionais e remotas do Norte e Nordeste brasileiro. O babaçu é uma palmeira amplamente distribuída nessas regiões, onde as populações locais já realizam o extrativismo das sementes. A utilização do babaçu como matéria-prima para biodiesel pode oferecer a essas comunidades acesso a uma fonte de energia renovável e localmente disponível, sem necessidade de transporte de combustível de outras regiões. Segundo Benhurt Gongora, um dos autores do estudo, os moradores dessas áreas já fazem a extração do babaçu para a alimentação e, com as sementes não usadas para consumo, eles poderiam produzir o biocombustível. “Não precisa usar nenhum equipamento de difícil operação, apenas alguns aparelhos com agitação e aquecimento com vidraria de laboratório”, diz.
Além do benefício energético, a produção pode gerar renda adicional para famílias que já trabalham com o extrativismo da palmeira. Do ponto de vista ambiental, a substituição parcial do biodiesel de soja pelo de babaçu pode reduzir a pressão sobre áreas agrícolas e diminuir as emissões de poluentes atmosféricos. Para o setor energético, os resultados apontam para a possibilidade de diversificação da matriz de biocombustíveis no Brasil, reduzindo a dependência da soja e do diesel importado. O babaçu apresenta ainda uma vantagem natural: suas sementes contêm até 66% de óleo, contra apenas 18% da soja, tornando-o mais eficiente em termos de óleo produzido por hectare.
Até este estudo, nenhuma pesquisa havia avaliado de forma abrangente o desempenho do biodiesel de babaçu comparado ao de soja em motores geradores. Os achados indicam que o biodiesel de babaçu é menos poluente do que o biodiesel feito de blends, feito a partir de uma mistura de diferentes óleos, e também menos do que o de soja. Isso reforça uma correlação encontrada em outros estudos da área: combustíveis com mais ácidos graxos saturados, como o de babaçu, tendem a produzir menos poluentes do que combustíveis insaturados como o de soja. Gongora também destaca que o babaçu oxida menos e pode ser armazenado por mais tempo.
Mesmo com os resultados positivos para o biodiesel de babaçu, os pesquisadores apontam que a próxima etapa fundamental da pesquisa é investigar a durabilidade do motor. Eles precisam entender o que acontece com as peças do motor ao longo do tempo e o uso contínuo desse biocombustível, ou seja, estudar os seus mecanismos de desgaste. Além disso, para confirmar a ampla viabilidade do combustível, eles planejam realizar testes adicionais com diferentes tipos de motores e sob outras condições operacionais.

Para acessar o material completo clique no CicloVivo

Novidades

Onça-pintada monitorada há um ano é capturada em Corumbá (MS)

07/05/2026

Uma onça-pintada de 72 quilos que era monitorada havia um ano na área urbana de Corumbá, Mato Grosso...

VÍDEO: Elefante-marinho é flagrado às margens do Rio Piraquê-Açu em Aracruz

07/05/2026

Um elefante-marinho foi visto às margens do Rio Piraquê Açu, em Aracruz, no litoral Norte do Espírit...

Governo federal reconhece emergência em município do AC por derramamento de óleo em rio

07/05/2026

A cidade de Tarauacá, no interior do Acre, teve a situação de emergência reconhecida pelo governo fe...

Projeto do AP que transforma caroço de açaí em gás de cozinha recebe certificado de viabilidade

07/05/2026

Um projeto desenvolvido por pesquisadores da Universidade do Estado do Amapá (Ueap) está transforman...

Projeto propõe usar lixo eletrônico como fonte de minerais críticos

07/05/2026

O Brasil gera mais de 2,4 milhões de toneladas de resíduos eletroeletrônicos por ano. É uma quantida...