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O que primeiro registro de sauá albino na mata atlântica representa para o meio ambiente

09/12/2025

Pesquisadores do projeto Primatas Perdidos registraram pela primeira vez no mundo um sauá albino (Callicebus nigrifrons), no Parque Estadual do Rio Doce (Perd), em Minas Gerais, a maior área contínua de mata atlântica do estado.
O avistamento foi feito por meio de drones equipados com câmeras, durante um levantamento populacional da equipe.
"A câmera termal detectou o calor de alguns animais, e quando passamos para a câmera colorida, vimos um indivíduo completamente branco", explica Vanessa Guimarães, bióloga e uma das fundadoras do projeto.
"Na hora eu pensei: ´Que espécie é essa?´. Só depois, comparando com os outros indivíduos, percebemos que era um sauá. Foi um choque. É como encontrar uma agulha no palheiro."
Casos de albinismo em primatas neotropicais —espécies encontradas na América Central e do Sul— são extremamente raros, e não havia registros anteriores para a família à qual o sauá pertence, composta por 63 espécies.
O registro inédito foi feito dentro da área de floresta densa do parque, a maior mancha contínua de mata atlântica em Minas Gerais e uma das últimas em bom estado de conservação no país.
O Parque Estadual do Rio Doce, criado em 1944, protege cerca de 36 mil hectares de floresta e abriga centenas de espécies de aves, répteis e mamíferos —entre eles, cinco espécies de primatas, três delas ameaçadas de extinção.
O projeto Primatas Perdidos, criado por Vanessa Guimarães e outros pesquisadores, tem como foco justamente o monitoramento dessas populações.
O uso de drones equipados com câmeras coloridas e termais, capazes de detectar o calor corporal dos animais, é feito justamente para conseguir identificar espécies mesmo nas áreas mais fechadas da mata.
"O drone é uma ferramenta tecnológica muito eficaz para o levantamento de fauna. Ele nos permite acessar lugares onde não conseguiríamos chegar a pé, de forma mais rápida e com menos impacto sobre os animais", explica.
Foi assim que o sauá albino foi registrado. O animal estava acompanhado de outros dois indivíduos de coloração normal. "Ele parecia totalmente integrado ao grupo, o que é interessante, porque muitas vezes animais albinos são rejeitados ou atacados pelos seus pares. Nesse caso, o comportamento era tranquilo, natural", conta Guimarães.
O aparecimento do sauá albino é simbólico —e traz preocupação. Para os pesquisadores, ele indica possíveis efeitos do isolamento populacional e da degradação ambiental ao redor do parque.
"O Guimarães do Rio Doce é uma espécie de ilha verde cercada por áreas degradadas", diz Vanessa.
"O entorno vem sofrendo há mais de 150 anos com a expansão urbana, a monocultura e as atividades agroindustriais. Isso afeta o fluxo genético das espécies e pode aumentar a endogamia, ou seja, a reprodução entre parentes próximos."
Esses animais, explica a bióloga, precisam de grandes áreas de floresta conectadas.
"Quando as populações ficam isoladas por causa do desmatamento ou da urbanização, a troca genética diminui. E isso pode gerar mutações e anomalias, como o albinismo."
Além disso, fatores externos, como poluição atmosférica e o uso intensivo de agrotóxicos em plantações próximas, podem interferir na expressão genética de animais silvestres.
"Estudos apontam que gases como dióxido de nitrogênio e dióxido de enxofre podem causar alterações na pigmentação", explica. "Não podemos afirmar que foi o caso do sauá, mas é uma hipótese plausível."

A matéria na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo

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