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Mais da metade do carbono orgânico do solo brasileiro está na Amazônia, diz estudo

09/12/2025

O Brasil possui 37,5 gigatoneladas de carbono orgânico no solo, concentradas principalmente na Amazônia, revela pesquisa do MapBiomas que analisou dados entre 1985 e 2024. Mais da metade desse estoque (52%) está concentrada na Amazônia.
📌O carbono orgânico do solo ajuda a manter a fertilidade, armazenar água e mitigar mudanças climáticas.
O Brasil armazena cerca de 37,5 gigatoneladas (Gt) de carbono orgânico do solo, na camada de 0 a 30 centímetros, o equivalente a uma média de 44,1 toneladas por hectare (t/ha).
O estudo também mostra que 35,9% do solo brasileiro armazena entre 40 e 50 t/ha de carbono.
Apesar da Amazônia ter a maior quantidade de carbono no solo, a Mata Atlântica é o bioma com a maior concentração por hectare. Isso se dá pela extensão e características próprias dos biomas.
Os maiores estoques estão em florestas de várzea, como próximas ao Rio Negro na Amazônia, e na zona costeira da Mata Atlântica.
O carbônico também indica como o território evoluiu em termos de vegetação, clima e relevo. Esta é a primeira vez que os padrões de estoque de carbono, textura e pedregosidade do solo brasileiro são analisados de forma integrada.
A textura do solo também influencia armazenamento e uso da terra. A pesquisa destaca a relação entre textura do solo, como por exemplo a proporção de areia, silte e argila e o armazenamento de carbono.
Na camada de 0 a 30 cm, 63,4% do território possui solo de textura média, seguido por solos argilosos (29,6%). Solos arenosos, siltosos e muito argilosos somam apenas 7% da área.
Em profundidade (60–100 cm), o solo brasileiro torna-se majoritariamente argiloso (63,6%).
A Mata Atlântica apresenta solos com mais de 60% de argila, favorecendo retenção de água, nutrientes e carbono.
Em contraste, Cerrado, Caatinga e Pantanal que concentram solos arenosos, com menor retenção de água e carbono, mas maior recarga de aquíferos.
Já as várzeas amazônicas acumulam silte e grandes estoques de carbono, fruto de sedimentos transportados pelos rios.
“Esses dados ajudam a explicar por que diferentes ambientes respondem de formas distintas ao uso do solo e às condições climáticas. Solos descobertos têm maior risco de erosão, enquanto vegetação natural ou cultivos perenes aumentam a infiltração de água e a retenção de carbono”, observa Samuel-Rosa, um dos coordenadores do MapBiomas Sol.
Entre 1985 e 2024, a pastagem se expandiu sobre solos médios e arenosos, enquanto a agricultura cresceu em áreas pouco pedregosas nos primeiros 90 cm do solo. A silvicultura se concentrou em solos superficiais pedregosos, explorados por espécies com raízes mais robustas.
O estudo revela que 9% do território (77 milhões de hectares) possui solo com pedregosidade dominante nos primeiros 100 cm, dificultando mecanização e armazenamento de água, especialmente na Caatinga, onde a profundidade e a rocha limitam o crescimento das raízes.
Solos argilosos, muito argilosos e siltosos possuem os maiores estoques de carbono, frequentemente acima de 50 t/ha, enquanto solos arenosos têm média de 32 t/ha. Na Caatinga, a diferença entre solos muito argilosos e arenosos chega a 35 t/ha.
“No Brasil, a distribuição do carbono orgânico do solo é heterogênea, refletindo a diversidade climática, geológica e ecológica do território. Integrar essas informações permite analisar os biomas em detalhes e compreender melhor o potencial de armazenamento de carbono e água”, explica a professora Taciara Zborowski Horst, que também coordena a pesquisa.

Fonte: g1

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