
25/09/2025
Parques alagáveis, telhados verdes e calçamentos permeáveis fazem parte de um modelo urbanístico conhecido como “cidade-esponja”. A proposta busca reter a água da chuva no próprio espaço urbano, reduzindo enchentes e assegurando reservas para períodos de estiagem.
O conceito foi criado pelo arquiteto chinês Kongjian Yu, que morreu na noite de terça-feira (23) em um acidente aéreo no Pantanal, no Mato Grosso do Sul.
A noção de cidade-esponja ganhou força após uma tragédia em Pequim, na China, em 2012, quando chuvas intensas provocaram a morte de quase 80 pessoas. Enquanto boa parte da capital chinesa estava submersa, a Cidade Proibida — construída séculos antes com um sofisticado sistema de drenagem — permaneceu seca.
O episódio reforçou a crítica de Yu: cidades modernas dependem demais de infraestrutura de concreto, canos e bombas, mas negligenciam soluções naturais que permitem à água infiltrar no solo.
A partir daí, a China passou a investir fortemente em projetos de cidade-esponja, desenhados para absorver o excesso de chuva e liberar gradualmente a água, reduzindo enchentes e garantindo reservas para épocas de seca.
Como funcionam as cidades-esponja
O modelo se baseia em um conjunto de medidas que transformam a infraestrutura urbana. Entre as principais estão:
* Parques alagáveis: áreas verdes projetadas para ficar parcialmente inundadas durante as cheias. No período seco, funcionam como espaços de lazer e convivência. Muitas vezes, têm passarelas elevadas e vegetação nativa capaz de reter água e favorecer a biodiversidade.
* Telhados verdes: jardins instalados no topo de prédios. Eles reduzem o volume de água que vai para os bueiros, ajudam a refrescar as cidades e ainda filtram o ar. O desafio é estrutural: muitos edifícios precisam ser reforçados para receber o peso adicional.
* Calçamentos permeáveis: pisos porosos que permitem infiltração da água da chuva no solo. Em Copenhague e em cidades chinesas, foram criados espaços públicos com esse tipo de tecnologia, que absorve e libera a água lentamente.
* Praças-piscina: áreas esportivas ou de lazer que se transformam em reservatórios temporários em dias de tempestade. Em Roterdã, na Holanda, a praça Benthemplein foi projetada para receber milhões de litros de água, que são liberados gradualmente de volta ao subsolo.
A China lidera a aplicação da ideia. Em cidades como Taizhou e Jinhua, muros de concreto que canalizavam rios foram demolidos e substituídos por parques capazes de conter enchentes. O parque Yanweizhou, em Jinhua, tornou-se referência internacional ao conciliar drenagem natural, lazer e preservação ambiental.
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