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ONU aprova taxa global sobre emissões de carbono de navios, contrariando os EUA

15/04/2025

Após uma semana de negociações intensas em Londres, os países-membros da IMO (Organização Marítima Internacional) aprovaram um plano de descarbonização para o setor, definindo uma série de metas anuais para a redução das emissões. Pela primeira vez, está prevista uma penalidade financeira para quem não conseguir cumprir os objetivos.
O acordo da agência ligada à ONU (Organização das Nações Unidas) deve ser formalmente adotado em outubro, começando a valer em 2028.
Embora tenham celebrado o entendimento, sobretudo após os Estados Unidos ameaçarem retaliações em caso de aprovação de qualquer tipo de cobrança, ambientalistas criticaram os limites definidos, considerados pouco ambiciosos para uma indústria que responde por cerca de 3% das emissões globais.
Devido à complexidade, as emissões do setor marítimo não foram incluídas no Acordo de Paris, ficando para discussão posterior. Em 2023, em uma decisão classificada como histórica, a IMO estabeleceu a meta de zerar as emissões da indústria marítima até "por volta de 2050", determinando objetivos graduais para a transição.
Agora, os países começaram a desenhar como chegar até lá.
O acordo envolveu uma costura difícil entre os mais de 170 Estados-membros da IMO, com forte oposição de grandes produtores de petróleo, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. O transporte marítimo é um grande cliente desses países, com estimativas de que até 5% da produção mundial de petróleo seja destinada a esse fim.
Na votação, 63 países se manifestaram a favor —incluindo o Brasil— e 16 foram contrários, além de 24 abstenções.
"Este é um momento histórico para a indústria marítima, que deve marcar uma virada na maré das emissões de gases de efeito estufa provenientes da navegação global. Este é o primeiro acordo internacional que coloca todo um setor em uma trajetória obrigatória de redução rumo às emissões líquidas zero", disse Mark Lutes, assessor sênior de Políticas Climáticas Globais do WWF.
"No entanto, aspectos fundamentais deste acordo ficam aquém do necessário e correm o risco de desviar a transição do rumo certo", completou.
As métricas aprovadas estão bem distantes da proposta inicial encabeçada pela União Europeia, com o apoio de países-ilha do Pacífico, que previa uma cobrança por todas as toneladas de carbono emitidas no transporte marítimo.
O Brasil e outros emergentes se opunham a esse modelo, que penalizaria grandes exportadores que estão distantes dos mercados consumidores, defendendo uma solução intermediária.
O que foi acordado é uma tentativa complexa de tentar equilibrar todas essas visões. Ficou definido que os proprietários de embarcações precisam reduzir a chamada intensidade das emissões, que é a quantidade de gases de efeito estufa emitida por unidade de combustível.
A proposta de agora, que passará por uma revisão daqui a três anos, traz duas metas —uma mais branda e outra mais rígida— para os navios com mais de 5.000 toneladas brutas.

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