
13/03/2025
A cada onda de ressaca, a faixa de areia entre Ipanema e Leblon cede e estreita aos poucos as icônicas praias da zona sul do Rio de Janeiro. "As mudanças já são visíveis e dá medo pelo que está por vir", afirma o ambulante João Nogueira, enquanto ajeita sua barraca à beira da água.
O vendedor, que trabalha no trecho há 20 anos, viu o mar invadir as pistas da orla em eventos repetidos no ano passado, quando houve ondas de até 4 metros de altura que engoliram o calçadão e chegaram ao asfalto —já ocorrido em anos anteriores. "A sensação é de que cada vez mais, a praia desaparece", diz.
Não é só uma percepção. Uma série de estudos recentes mostram que a combinação de ressacas mais intensas e o aumento do nível do mar, impulsionado pelo aquecimento global, está acontecendo em ritmo cada vez mais acelerado, ameaçando ecossistemas naturais.
O arco Ipanema-Leblon, por exemplo, sofre um déficit de cerca de 1,5 milhão de metros cúbicos de sedimentos, enquanto Copacabana enfrenta erosão intensa nos postos 4 e 6. As projeções são ainda mais alarmantes.
Luciana Prado, professora da Faculdade de Oceanografia da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), afirma que a taxa de elevação do nível do mar tem sido mais acentuada no oceano Atlântico Sul, que banha a costa do estado.
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