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Preservação de recifes de corais gera até R$ 167 bilhões ao Brasil

07/11/2023

Recifes de corais geram até R$ 167 bilhões ao Brasil em serviços de proteção costeira e turismo. É o que aponta um estudo inédito realizado pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, o primeiro nessa escala a calcular o valor dos serviços ecossistêmicos oferecidos pelos recifes de corais para a redução de danos causados por ressacas, alagamentos e erosões em regiões costeiras.
A pesquisa, que também avaliou o impacto econômico do turismo em destinos com recifes de corais no Nordeste, revela que as receitas com atividades de lazer e recreação chegam a R$ 7 bilhões por ano. O estudo é a base para a publicação “Oceano sem mistérios – Desvendando os recifes de corais”, disponível para download.
“Apesar de ocuparem menos de 0,1% do fundo do oceano, os recifes de corais têm papéis ecológicos essenciais, oferecendo abrigo e alimentos para cerca de 25% das espécies marinhas. A pesquisa demonstra que esses ecossistemas, além de toda a relevância ecológica, prestam importantes serviços para a sociedade”, afirma Malu Nunes, diretora executiva da Fundação Grupo Boticário.
“A importância dos recifes de corais é muito maior do que a maioria das pessoas imaginam. Esperamos que o estudo estimule um olhar mais atento da sociedade para esses ecossistemas e inspire uma melhoria nos esforços de conservação. Já é hora de incorporar a avaliação econômica à gestão integrada da nossa zona costeira”, reforça.
Para Malu, a pesquisa evidencia a importância do manejo sustentável dos recifes de corais e pode estimular o diálogo entre diferentes atores, unindo esforços do poder público, do setor empresarial e das organizações do terceiro setor. “Nosso objetivo é fortalecer a elaboração de políticas públicas de fomento à conservação, incentivar a comunicação qualificada, proteger a zona costeira brasileira e valorizar a biodiversidade de recifes de corais”, salienta.
De acordo com a publicação, em uma área de aproximadamente 170 quilômetros quadrados na região Nordeste, entre o sul da Bahia e o Maranhão, os recifes de coral, areníticos e rochosos geram o total de R$ 160 bilhões em proteção costeira. Para cada quilômetro quadrado de recifes, R$ 941 milhões são economizados em danos evitados.
Esses ecossistemas ajudam a proteger as comunidades costeiras de tempestades, ressacas e erosões causadas pelas ondas do mar. “A degradação de recifes de corais aumenta a vulnerabilidade da costa, principalmente em situações de eventos extremos que podem gerar grandes danos e perdas materiais e imateriais. Se o atual quadro de deterioração dos recifes de corais permanecer inalterado, as regiões costeiras estarão ainda mais expostas à inundação e erosão”, explica Ronaldo Christofoletti, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN), professor do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e membro do Grupo Assessor de Comunicação para a Década do Oceano da UNESCO.
O estudo alerta que as mudanças climáticas podem ampliar a intensidade de chuvas, ressacas e furacões, aumentando a energia das ondas. Nesse cenário, os recifes de corais serão ainda mais importantes para a proteção costeira e, consequentemente, terão valor econômico ainda maior para a proteção das comunidades que vivem ao longo da costa.
“Devemos compreender que os investimentos na conservação e restauração de recifes de corais, além de todos os benefícios ecológicos, representam uma parcela muito pequena em comparação aos custos que podem ser gerados pela falta de proteção costeira. Não há dúvidas de que a infraestrutura convencional de proteção costeira – quebra-mares, diques, muros e paredões – traz custos muito maiores”, afirma Christofoletti.
Foram selecionados quatro municípios que representam cidades com densidades populacionais típicas do litoral do nordeste brasileiro e que possuem uma área significativa de recifes de corais do tipo franja próximos à costa: Recife e Ipojuca, em Pernambuco, e Maragogi e São Miguel dos Milagres, em Alagoas. Foram avaliados os prejuízos evitados em áreas residenciais, comerciais, industriais e na infraestrutura pública urbana, como estradas, rodovias, pavimentos e calçadas.
Após a apuração dos danos evitados nos quatro municípios, o estudo foi extrapolado para as demais cidades que contam com recifes de corais, considerando o tamanho, a infraestrutura urbana e a população de cada local.

A matéria na íntegra pode ser lida no CicloVivo

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